O quinto leilão do programa Eco Invest mobilizou R$ 50 bilhões para a transição energética, com protagonismo do Bradesco, que garantiu mais da metade dos fundos temáticos voltados à inovação sustentável no Brasil.
O Tesouro Nacional revelou nesta quarta-feira os resultados expressivos da quinta rodada do programa Eco Invest, iniciativa federal desenhada para destravar aportes estrangeiros em frentes sustentáveis.
O certame injetará cerca de R$ 49,95 bilhões em seis cadeias produtivas estratégicas para a economia verde.
O grande destaque do processo foi o Bradesco, que assegurou três dos seis fundos temáticos colocados em disputa, totalizando um potencial de R$ 28,5 bilhões em investimentos — o equivalente a 57% de todo o volume gerado na rodada.
O modelo do programa baseia-se no conceito de blended finance, unindo capital público subsidiado a recursos privados para diluir riscos e impulsionar projetos de infraestrutura limpa.
A Mecânica do Capital Catalítico e a Alta Demanda
Para viabilizar as operações, o Tesouro Nacional aportará R$ 13,2 bilhões a uma taxa de 1% ao ano, divididos entre fundos de participação societária e crédito corporativo.
As instituições financeiras vencedoras assumiram o compromisso de captar o montante remanescente no mercado privado, alcançando uma alavancagem média de 3,8 vezes.
A disputa superou amplamente as expectativas governamentais.
Seis bancos apresentaram 23 propostas que, se aceitas integralmente, somariam R$ 181,3 bilhões.
A concorrência mais acirrada ocorreu no segmento de combustíveis avançados, biogás e biometano.
Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, destacou:
“Este era um leilão mais difícil, com uma estrutura mais complexa. A gente levou ao limite, forçou para exigir mais contrapartidas e investimentos de mais risco. A gente estava preparado para ter um ou outro fundo vazio. Todos tiveram no mínimo duas propostas.”
Como Ficou a Distribuição Entre os Bancos
Cada instituição financeira concentrou seus esforços em frentes específicas da transição ecológica, definidas por critérios rigorosos de alavancagem e exigências de inovação tecnológica.
O Bradesco levou as frentes de fertilizantes verdes, biomateriais e circularidade de resíduos.
O Itaú conquistou o fundo voltado à automação e inteligência artificial produtiva.
O Santander destacou-se em minerais críticos e baterias, enquanto o HSBC venceu na categoria de combustíveis sustentáveis para aviação e navegação.
Além do foco financeiro, as instituições foram obrigadas a direcionar aportes a fundo perdido para o empreendedorismo tecnológico, somando R$ 250 milhões apenas no primeiro ano.
O sucesso desta rodada reforça o apetite do setor financeiro nacional pelo mercado de energia limpa, consolidando o Brasil como um polo atrativo para investimentos de longo prazo em sustentabilidade e descarbonização da economia.
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