Projetos de baterias integrados a parques solares podem alcançar uma vantagem competitiva de até 35% no próximo LRCap, impulsionados pelo compartilhamento de infraestrutura e mitigação de cortes na geração.
A corrida para o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade exclusivo para armazenamento no país ganhou novos contornos estratégicos.
De acordo com um levantamento recente da Aurora Energy Research, iniciativas que combinam unidades armazenadoras e usinas fotovoltaicas no mesmo local possuem potencial para derrubar os lances em até 35%, superando concorrentes independentes.
O cenário antecipa uma disputa acirrada para o certame organizado pelo governo brasileiro.
O evento, agendado para o início de dezembro, registrou uma marca histórica ao atrair milhares de cadastros junto à EPE.
Com centenas de gigawatts inscritos e uma previsão de contratação muito inferior a esse montante, cada detalhe de engenharia e finanças fará diferença.
Nesse ambiente altamente competitivo, a chamada colocalização desponta como o caminho mais viável para investidores garantirem margens atrativas e propostas vencedoras.
Vantagens estruturais e operacionais da integração
A sinergia entre o parque gerador e o sistema de armazenamento de energia em baterias (conhecido pela sigla BESS) gera cortes diretos em despesas capitais e operacionais.
Rodrigo Longo, especialista da consultoria, aponta que o aproveitamento de subestações e cabos já existentes reduz os custos iniciais de implantação em até 15%.
Além disso, a otimização no uso do Must permite um corte adicional nos gastos com transmissão.
Como o pico de captação do sol e o descarregamento das baterias ocorrem em momentos distintos, a capacidade de escoamento é maximizada sem a necessidade de novas outorgas complexas.
Outro ponto nevrálgico solucionado pela integração é o manejo do curtailment.
Ao reter os excedentes de energia limpa que seriam descartados por restrições de rede, o empreendimento protege seus ativos e otimiza o fluxo de receita.
Rodrigo Longo afirmou:
À medida que os lances convergem, diferenciais competitivos vão definir o resultado do leilão. Quando a gente olha um bid comum versus um bid com colocation, a gente vê uma redução de 30% a 35%, que é uma margem competitiva muito grande dos projetos versus os outros.
O desafio do mercado livre e os próximos passos
Apesar dos avanços tecnológicos, o modelo de negócios baseado apenas na arbitragem de preços ainda enfrenta barreiras regulatórias e de mercado no território nacional.
Diferente de mercados maduros na Europa, a oscalização diária dos preços locais ainda não se mostra suficiente para sustentar financeiramente projetos isolados de armazenamento sem o suporte de leilões regulados.
As projeções indicam que a expansão das baterias será fundamental para absorver a volatilidade e garantir estabilidade ao sistema elétrico nacional até o final da década.
O sucesso dessas iniciativas, contudo, também dependerá da evolução nos modelos de comercialização de energia e de uma adaptação nos contratos de longo prazo firmados com o setor industrial.
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