Planeta a quatro anos de ultrapassar 1,5°C com emissões recordes, reforçando a urgência da ação climática.
A crise climática se intensifica com um novo e alarmante panorama revelado: o aquecimento global impulsionado pela atividade humana atingiu 1,37°C acima dos níveis pré-industriais em 2025. Se o ritmo atual das emissões de gases de efeito estufa persistir, a Terra deve cruzar o limite crucial de 1,5°C em aproximadamente quatro anos, um cenário que exige atenção imediata.
Essa projeção sombria emerge da mais recente edição dos Indicadores Globais de Mudança Climática (IGCC), um relatório divulgado enquanto diplomatas do clima se reúnem em Bonn, na Alemanha. O encontro visa preparar a agenda para a próxima Conferência das Partes (COP31), a ser realizada na Turquia, sublinhando a premência de ações mais robustas.
A Escalada das Emissões e Seus Impactos
A influência da humanidade no clima global nunca foi tão acentuada. Os cientistas alertam que os principais indicadores do sistema climático estão em processo de deterioração contínua. Em 2024, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) estabeleceram um novo recorde, alcançando 56,8 bilhões de toneladas de CO2 equivalente.
A queima de combustíveis fósseis — como petróleo, gás e carvão — foi a principal propulsora, respondendo por cerca de 73% desses lançamentos na atmosfera. O restante das emissões está ligado ao desmatamento, à produção de cimento, à gestão de resíduos e aos gases fluorados. Para 2025, as projeções apontam para um aumento nas emissões de CO2 provenientes de combustíveis fósseis e da indústria, embora se espere uma pequena retração nas emissões decorrentes da mudança no uso da terra.
As emissões médias decenais de GEE têm apresentado um crescimento constante desde a década de 1970, impulsionadas pelo aumento de CO2 e outros gases. Este panorama reforça a urgência das negociações em Bonn, onde líderes buscam inspiração para os planos de ação necessários para limitar o aquecimento global e honrar o Acordo de Paris.
“Precisamos de compromissos mais fortes do que a ciência exige,” afirmou Simon Stiell, secretário executivo da UNFCCC, ao abrir as reuniões climáticas de junho, ecoando a magnitude dos perigos e oportunidades que se apresentam.
Década Mais Quente e Desequilíbrio Planetário
Os dados do IGCC corroboram um alerta anterior da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que indicou o período de 2015 a 2025 como a década mais quente já registrada desde o início das medições em 1850. Somente em 2025, a temperatura média ficou cerca de 1,43°C acima dos patamares pré-industriais.
Apesar de uma leve desaceleração no ritmo de crescimento das emissões em comparação com décadas anteriores – atribuída a políticas de redução do desmatamento e à aceleração das renováveis – o relatório enfatiza que os esforços atuais são insuficientes para frear o aquecimento.
Um ponto crítico destacado pelo IGCC é o crescente desequilíbrio energético da Terra, um indicador crucial da velocidade com que o calor se acumula no sistema climático. Esperava-se que esse índice fosse próximo de zero sem a intervenção humana, mas ele dobrou nas últimas décadas devido à atividade antrópica. Este excesso de calor desencadeia uma série de consequências, desde o aquecimento dos oceanos e o derretimento de gelo continental até a elevação do nível do mar. Os efeitos são visíveis: a elevação do nível do mar já atingiu um recorde de 23 centímetros desde 1901, e os dias com ondas de calor marinhas triplicaram desde os anos 1990, somando 65 dias em 2025.
Perspectivas e Próximos Passos
A iminência de ultrapassar o limite de 1,5°C impõe uma pressão sem precedentes sobre as nações para acelerarem a transição energética e implementarem políticas climáticas mais ambiciosas. As discussões pré-COP31 em Bonn são um palco crítico para forjar compromissos que realmente reflitam a urgência da situação e busquem um futuro mais sustentável para o planeta.
A crise climática não é uma ameaça distante, mas uma realidade que se manifesta em recordes de temperatura, aumento do nível do mar e eventos extremos. A comunidade global deve agir de forma coordenada e decisiva para descarbonizar suas economias, investir massivamente em energias limpas e proteger os ecossistemas, garantindo que as futuras gerações não herdem um planeta irreversivelmente comprometido.























