O Brasil projeta um superávit comercial histórico de US$ 94 bilhões para 2026, impulsionado pela força do petróleo, que se mantém como o principal produto exportado pelo país.
A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) revisou recentemente suas expectativas para a balança comercial brasileira, sinalizando um resultado extremamente positivo para o próximo ano. Com a previsão de atingir um saldo de US$ 94,067 bilhões, o país espera um incremento expressivo de 38% sobre os dados apurados em 2025. Esse cenário reflete a robustez das commodities em um mercado internacional instável.
A projeção aponta que a corrente de comércio nacional chegará à marca de US$ 676,483 bilhões, sendo composta por exportações de US$ 385,275 bilhões e importações estimadas em US$ 291,208 bilhões. O protagonismo, contudo, permanece concentrado no setor energético, especificamente no óleo bruto, que continua a superar a soja na liderança das exportações.
Geopolítica e liderança do óleo bruto
A predominância do petróleo brasileiro no comércio exterior é fruto tanto da expansão constante da produção nas reservas do pré-sal quanto da conjuntura global. Tensões em rotas marítimas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, e conflitos prolongados entre grandes potências mantêm os preços do barril em patamares que favorecem exportadores.
Sobre as incertezas que rondam o mercado, “Sabemos que o presidente Trump adotou as tarifas sem critérios técnicos e sem dispor de previsibilidade, foi mais uma decisão por impulso. O conflito entre Ucrânia e Rússia, o confronto entre Estados Unidos e Irã, os bloqueios do Estreito de Ormuz, a agressividade comercial da China e possíveis reflexos climáticos de El Niño são outros agravantes”, pontua José Augusto de Castro, presidente-executivo da AEB.
A indústria extrativa deve movimentar mais de US$ 100 bilhões em vendas externas, sendo que o petróleo isoladamente responderá por US$ 64,653 bilhões. Somando a força da soja e do minério de ferro, o trio de peso representa mais de um terço de toda a receita comercial que o Brasil deve auferir em 2026.
O desafio da desindustrialização
Apesar do sucesso das exportações de recursos básicos, o relatório traz um alerta preocupante para o setor manufatureiro. A dependência de produtos importados deve elevar o déficit da indústria de transformação para a marca de US$ 143 bilhões em 2026, evidenciando problemas estruturais que impedem o país de ascender em cadeias de valor mais sofisticadas.
O dirigente da AEB enfatiza o impacto social e econômico dessa fragilidade: “Trata-se de uma escalada que passou de US$ 108 bilhões em 2023 para US$ 131 bilhões em 2024 e US$ 134 bilhões em 2025. A manutenção desse resultado negativo gera exportação de emprego e importação de desemprego. É um cenário devastador para nossa economia.”
O futuro da balança comercial brasileira parece depender de uma equação complexa: manter a relevância global do petróleo como motor de divisas enquanto, paralelamente, busca estratégias de longo prazo para modernizar sua base industrial. A transformação estrutural do perfil exportador exige, agora, que os ganhos provenientes das commodities sejam convertidos em inovação, infraestrutura e competitividade tecnológica para o mercado interno.





















