Relatório do BTG Pactual aponta que a Petrobras segue comercializando combustíveis abaixo do preço de mercado internacional, mesmo com os repasses diretos do governo federal para a estatal.
A política de preços da Petrobras volta a ser centro de debates estratégicos no setor energético brasileiro. Dados recentes revelam que a companhia mantém uma defasagem significativa em relação aos valores praticados internacionalmente, um cenário que persiste mesmo com o suporte financeiro injetado pelos cofres públicos.
O diagnóstico, assinado pelo BTG Pactual, escancara o descompasso entre a estratégia de preços da estatal e o chamado PPI (Preço de Paridade de Importação). Sem o auxílio estatal, o distanciamento das cotações globais seria ainda mais severo, pressionando as finanças da petroleira e limitando a competitividade do mercado interno.
O impacto das subvenções no caixa
O cálculo financeiro revela que, no caso do diesel, a defasagem atinge 19%, enquanto na gasolina o índice chega a 12%. O mecanismo de subvenção funciona como um amortecedor, mas não é suficiente para eliminar a lacuna entre o custo de importação e o preço cobrado às distribuidoras.
Para o diesel, a conta é clara: enquanto o mercado externo aponta um custo de R$ 5,43 por litro, a Petrobras recebe, somando a venda direta e a subvenção, apenas R$ 4,43. Para a gasolina, a estatal arrecada R$ 3,07 por litro, enquanto o preço de paridade de importação gira em torno de R$ 3,50.
“Essa diferença de preços praticamente inviabiliza a concorrência do combustível importado, mantendo as janelas de importação fechadas para a maioria dos players privados no mercado interno.”
Desafios para o mercado e próximos passos
A disparidade entre o preço interno e o externo cria um bloqueio natural para importadores independentes, que encontram dificuldades em competir com os valores ofertados pela Petrobras nos portos. Em alguns casos, a diferença de custo para o produto importado supera R$ 1,80 por litro em relação aos preços praticados pela estatal.
Apesar da pressão sobre as receitas, analistas do BTG Pactual observam que as margens de refino da empresa permanecem em patamares positivos. O cenário coloca o governo e a gestão da Petrobras em uma encruzilhada: ou a estatal ajusta suas tabelas para alinhar os valores ao mercado global, ou o governo precisará ampliar significativamente os subsídios para sustentar a atual política de preços ao longo dos próximos meses.
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