ONS aloca 228 MW para data centers em leilão inédito, impulsionando o setor de tecnologia e energia limpa no Brasil.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) marcou um novo capítulo no acesso à Rede Básica de energia com a conclusão da primeira temporada de acesso da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast).
Nesta etapa inaugural, foram destinados 228 MW de capacidade, anteriormente ociosa na rede principal, para três empreendimentos de data centers localizados no estado de São Paulo. Essa alocação representa um avanço significativo na forma como grandes consumidores de energia interagem com o Sistema Interligado Nacional (SIN).
A energia disponibilizada, dividida em quatro pontos de conexão, foi inteiramente direcionada para empresas do setor de tecnologia. Os beneficiados incluem as companhias Pahlavan One e Pahlavan Three, controladas pela Cloud HQ, e a Digital DC Brasil, que opera sob a marca NextStream e é ligada ao fundo de private equity Actis.
A iniciativa visa otimizar o uso da infraestrutura de transmissão existente, ao mesmo tempo que atende à crescente demanda por energia de centros de processamento de dados, essenciais para a economia digital.
Um Novo Modelo de Acesso e Planejamento Energético
A Pnast, estabelecida pelo Decreto nº 12.772/2025, introduziu um modelo de acesso à Rede Básica focado em transparência, previsibilidade e eficiência. O primeiro ciclo da política culminou em um processo competitivo inédito, realizado em 6 de outubro, que atraiu sete projetos com uma demanda total de 451 MW habilitados.
A capacidade remanescente de 228 MW, que correspondia a 100% da margem ofertada, foi plenamente alocada, demonstrando o interesse e a necessidade do mercado por essa nova dinâmica.
Ao longo desta primeira temporada, o ONS registrou um volume expressivo de cadastramentos, com 367 empreendimentos de geração e consumo totalizando mais de 20 GW em solicitações de acesso. Incluindo a fase transitória, o operador analisou mais de 43 GW em pedidos, dos quais aproximadamente 30,7 GW foram viabilizados ou habilitados, evidenciando o potencial de expansão e modernização do setor elétrico brasileiro.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou:
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“Quando desenhamos essa política, tivemos como objetivo superar uma lógica de espera e construir uma política de estado, baseada em planejamento, critérios técnicos e processos competitivos. Com a Pnast, damos mais previsibilidade aos agentes, aumentamos a eficiência dos investimentos e garantimos que a expansão da transmissão esteja alinhada às necessidades do desenvolvimento do país. É uma mudança que fortalece o planejamento do setor elétrico, amplia a segurança do sistema e cria as condições para que o Brasil avance com infraestrutura adequada e visão de longo prazo.”
Resultados e Perspectivas para o Setor
O sucesso do primeiro ciclo da Pnast não apenas otimiza o uso da infraestrutura de transmissão, mas também valida a abordagem de planejamento e concorrência para novos acessos. A participação de grandes projetos de data centers neste leilão inédito reflete a confiança do setor de tecnologia nas diretrizes estabelecidas pelo governo.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, declarou:
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“Encerramos este primeiro ciclo com resultados que demonstram a efetividade do novo modelo de acesso à transmissão. Além dos volumes expressivos de capacidade analisada e viabilizada, realizamos com sucesso o primeiro Processo Competitivo da Pnast, consolidando um ambiente mais previsível, transparente e eficiente para investidores, consumidores e para o planejamento da expansão do sistema elétrico brasileiro.”
O aprendizado obtido com esta primeira temporada servirá como base para aprimoramentos futuros, conforme destacou o diretor de TI, Relacionamento com Agentes e Assuntos Regulatórios do ONS, Maurício de Souza.
A expectativa é que a Pnast continue a ser um pilar para a expansão sustentável e planejada da infraestrutura elétrica do Brasil, atraindo investimentos e garantindo segurança energética para o desenvolvimento econômico do país.
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