Um levantamento recente do Observatório do Clima aponta que senadoras demonstram maior compromisso com pautas socioambientais, embora continuem sendo minoria expressiva no Congresso Nacional brasileiro.
A recente renovação das cadeiras legislativas no Brasil trouxe novos contornos para o debate sobre a transição energética e a proteção ecológica. Dados publicados pelo GT Congresso revelam que a proporção de parlamentares engajados na preservação da natureza sofreu uma retração significativa no Senado Federal e na Câmara dos Deputados.
No centro dessa dinâmica, a bancada feminina destaca-se pelo apoio robusto às pautas verdes, contrastando com o perfil predominante entre os homens eleitos. A baixa representatividade das mulheres na política institucional continua a ser um obstáculo para o avanço de leis voltadas ao desenvolvimento sustentável e ao combate às mudanças climáticas.
O peso da bancada feminina na pauta verde
A análise estatística demonstra que as mulheres exercem um papel fundamental na defesa do meio ambiente no poder legislativo. Enquanto quase 39% das senadoras possuem afinidade com o tema, o índice despenca para menos de 16% entre os parlamentares do sexo masculino que assumem os mandatos.
Esse mesmo comportamento se repete na Câmara dos Deputados, onde a adesão feminina ultrapassa os 50%, enquanto a masculina mal alcança 28%. Essa discrepância reforça a urgência de ampliar a participação feminina nos espaços de decisão para garantir um futuro mais equilibrado para a energia limpa e a conservação dos biomas.
Avanço da extrema direita e os riscos para o clima
O enfraquecimento do bloco pró-sustentabilidade está diretamente associado às mudanças na correlação de forças partidárias. O fortalecimento de siglas ligadas à extrema direita, com destaque para o Partido Liberal, alterou a configuração do Legislativo, ampliando a bancada de legendas historicamente distantes das pautas ecológicas.
Para especialistas do setor, o cenário futuro exigirá forte resistência contra eventuais medidas de desregulação.
Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática.
afirma Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima.
A conjuntura política desenhada para os próximos anos coloca sob pressão a agenda de descarbonização do país. Com um parlamento menos favorável, defensores da sustentabilidade apontam que o monitoramento rigoroso das propostas em tramitação será indispensável para evitar retrocessos na legislação ambiental brasileira.
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