O Relivre, ferramenta que monitora a abertura do mercado de gás natural no Brasil, foi atualizado com uma metodologia baseada em rating para avaliar com maior precisão o ambiente regulatório nos estados.
Após três anos de operação, o projeto, antes reconhecido como Ranking do Mercado Livre de Gás, passou por uma modernização significativa. A nova estrutura adota o formato de classificação por níveis de rating, uma técnica de avaliação amplamente utilizada em análises de crédito corporativo e títulos públicos, visando conferir mais clareza e familiaridade aos agentes do setor.
O anúncio ocorreu nesta segunda-feira, 3 de agosto, em um evento realizado no Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), no Rio de Janeiro. A iniciativa, conduzida em conjunto pela Abpip, Abrace e pelo IBP, reflete a necessidade de um acompanhamento mais técnico diante do amadurecimento das políticas estaduais desde a sanção da Nova Lei do Gás, em 2021.
Mudança nos critérios de avaliação
A reformulação trouxe alterações na relevância de cada pilar que compõe a nota estadual. Embora os quatro eixos centrais — desverticalização, facilidade de migração, isonomia e comercialização — tenham sido mantidos, o peso de cada um foi recalibrado. A isonomia entre consumidores livres e cativos agora é o fator de maior importância, detendo 39% da nota final.
Na sequência, a comercialização responde por 25% da avaliação, a facilidade de migração por 23% e a desverticalização por 13%. Além dessa mudança na ponderação, a análise dos subitens foi aprofundada: os avaliadores abandonaram o sistema binário de “sim ou não” em prol de critérios mais complexos.
Estrutura técnica e administrativa
A nova metodologia divide os indicadores entre estruturantes e administrativos. Conforme explicam os organizadores, os primeiros são essenciais para definir o alcance do mercado livre, como as regras de volume mínimo para migração. Já os administrativos focam na operacionalização das normas e nos prazos processuais para que o consumidor possa efetivar sua mudança para o ambiente de livre negociação.
“A modernização do Relivre é um passo natural para acompanhar a dinâmica de um setor que, embora ainda jovem, apresenta sinais claros de crescimento e diversificação em diversas regiões do país”, destacaram os representantes das associações durante a apresentação.
Balanço e perspectivas para o mercado de energia
Os dados apresentados durante o evento demonstram um avanço contínuo desde 2021. O número de consumidores livres de gás saltou de 18 para 90 até 2025. O ecossistema também se expandiu no que diz respeito aos fornecedores: o total de carregadores subiu de 74 para 147, enquanto o número de comercializadoras cresceu de 154 para 226 no mesmo período.
O reflexo dessa evolução regulatória aparece na pontuação dos estados no novo sistema de rating. Enquanto em 2023 apenas duas unidades da federação superavam a marca de 50 pontos, hoje esse número chega a oito. Com a média nacional subindo de 42,3 em 2023 para 49 ao final de 2025, o Relivre consolida-se como um termômetro vital para o desenvolvimento sustentável e competitivo da infraestrutura de gás no Brasil.





















