Nova tecnologia permite abastecer caminhões com biometano em até 10 minutos, combinando alta velocidade, menor potência elétrica e redução anual de 6,4 mil toneladas de CO₂ no transporte de cargas sustentável.
A transição energética no transporte rodoviário de cargas exige soluções que permitam conciliar a redução das emissões de gases de efeito estufa com a produtividade das operações. Nesse cenário, a Ultragaz apresentou uma tecnologia capaz de realizar o abastecimento de caminhões movidos a biometano em aproximadamente 8 a 10 minutos, durante o evento promovido pela TransJordano, em 7 de outubro, em Sumaré (SP), para marcar o início das operações do Corredor Verde.
O projeto estabelece um eixo de abastecimento de cerca de 450 quilômetros entre Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, com ligação à região do Porto de Santos, e prevê a utilização de 100 caminhões movidos ao combustível renovável até dezembro de 2026. A infraestrutura será operada pela GarageLog, empresa do Grupo TransJordano, e estará disponível também para outras transportadoras.
Segundo Erik Trencht, diretor de Gases Renováveis da Ultragaz, a solução adotada apresenta diferenciais relevantes em relação a determinadas configurações convencionais de compressão. Durante sua apresentação, o executivo explicou que sistemas de referência podem exigir potência elétrica instalada entre 300 e 400 kVA e tempos de abastecimento de 20 a 40 minutos. Na configuração implementada no Corredor Verde, a potência instalada é da ordem de 40 kVA e o abastecimento pode ser realizado em aproximadamente 8 a 10 minutos.
“A parceria entra no mercado com uma solução muito eficiente, combinando velocidade, baixa potência instalada e eficiência operacional”
Crescimento do Biometano e Sustentabilidade Logística
A inovação está inserida em um mercado que apresenta perspectivas de crescimento no Brasil. Segundo a Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), a produção nacional de biometano cresceu aproximadamente 75% em 2025, alcançando 1,06 milhão de metros cúbicos diários. Produzido a partir da purificação do biogás proveniente de resíduos orgânicos, o combustível renovável representa uma alternativa para reduzir a utilização de fontes fósseis na energia limpa. Em estudo divulgado em 2025, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontou que o potencial economicamente viável do biometano de origem agropecuária poderia equivaler a um terço do consumo nacional de gasolina e diesel.
Para Joyce Bessa, diretora de ESG e Relações Institucionais da TransJordano, o Corredor Verde representa a transformação de compromissos ambientais em uma operação estruturada. Durante o evento, a executiva apresentou os resultados esperados com a incorporação integral da nova frota, que deverá percorrer aproximadamente 5,5 milhões de quilômetros por ano utilizando biometano.
“No Corredor Verde, são 6.486 toneladas de CO₂. Eu sei que esse número é muito grande para guardar na cabeça, por isso coloquei bem grande para ninguém esquecer. Essa é a estimativa da quantidade que vamos deixar de emitir por ano”
A diretora destacou ainda que os benefícios ambientais poderão alcançar diretamente as empresas que contratam os serviços da TransJordano. Como o transporte de mercadorias integra o Escopo 3 de muitos embarcadores, a utilização de combustível renovável contribui para o acompanhamento dos compromissos ambientais dessas organizações.
“O produto de vocês pode chegar ao destino com menos emissões e com relatório de emissões da carga. Nós vamos conseguir entregar relatórios mostrando quanto CO₂ vocês deixaram de emitir”
Com os pontos de abastecimento previstos para Sumaré, Ribeirão Preto e Cubatão, o Corredor Verde busca demonstrar como a integração entre fornecedores de energia limpa, fabricantes de veículos e transportadoras pode ampliar a utilização do biometano no país. A solução apresentada pela Ultragaz acrescenta um componente operacional importante ao reduzir o tempo de parada e a necessidade de potência elétrica. Para a TransJordano, o investimento representa uma oportunidade sólida de avançar na descarbonização de suas atividades e impulsionar a sustentabilidade no setor logístico brasileiro nos próximos anos.














