Mato Grosso destrava investimentos bilionários em infraestrutura de energia e transmissão para impulsionar o agronegócio e a transição verde no estado.
O Mato Grosso afirmou sua posição de liderança na nova configuração energética brasileira ao anunciar um plano robusto para fortalecer seu sistema elétrico. Durante o Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026, realizado em Cuiabá, autoridades e lideranças do setor privado apresentaram estratégias para superar os obstáculos de conexão que, até então, represavam projetos de fontes renováveis na região.
O evento, que atraiu mais de 1,2 mil especialistas, priorizou soluções para a escassez de capacidade de escoamento. O foco agora é a viabilização de um cronograma de expansão em transmissão com início previsto para 2027, medida esperada pelo mercado para destravar ativos de geração solar e de biomassa que aguardavam sinal verde para operar integralmente.
Investimentos em peso na modernização e distribuição
A Energisa, principal concessionária da região, apresentou um compromisso financeiro vultoso: cerca de R$ 9 bilhões destinados a uma reforma abrangente na rede de distribuição local. O objetivo é elevar a qualidade da entrega por meio da digitalização e do reforço estrutural, preparando o sistema para as exigências do mercado atual.
Em paralelo, o governo estadual reforçou sua estratégia de eletrificação rural com o aporte de R$ 700 milhões no programa MT Trifásico. A iniciativa é vital para o desenvolvimento do interior, garantindo que atividades intensivas em energia — como a irrigação de precisão e o beneficiamento industrial de grãos — disponham de uma rede robusta e confiável.
“A principal notícia foi o avanço da rede de transmissão do Estado. A gente estava sem espaço para conectar novos empreendimentos e isso começa a mudar com os investimentos que foram anunciados”, destacou Carlos Garcia, presidente do Sindenergia-MT.
Potencial renovável e valor agregado
A robustez da infraestrutura também visa capitalizar as vocações naturais do estado. Com uma das maiores produções agropecuárias do país, o Mato Grosso aposta na conversão de resíduos em biogás e biometano, buscando transformar o passivo ambiental da agroindústria em uma vantagem competitiva renovável.
O impacto econômico desse movimento já é expressivo. Com uma arrecadação de R$ 1,55 bilhão em ICMS advinda apenas da cadeia elétrica, o setor mantém mais de 7 mil postos de trabalho formais. O desafio agora é integrar essa escala à segurança regulatória, posicionando o estado como um hub industrial que combina produtividade no campo com uma matriz energética cada vez mais limpa e eficiente.























