Brasil garante recursos para manutenção da Eletronuclear e futuro de Angra 3 em 2027.
O governo federal, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, planeja destinar aproximadamente R$ 652 milhões para a Eletronuclear no Orçamento de 2027.
Essa verba é crucial para cobrir despesas correntes associadas à complexa obra da usina de Angra 3, um empreendimento que, apesar de inacabado, demanda contínuos investimentos para sua preservação e para a manutenção de contratos vigentes.
A alocação desses fundos ocorre em um momento de incerteza, uma vez que a decisão final sobre a continuidade da construção de Angra 3 ainda não foi tomada e está prevista apenas para o próximo ano.
A Eletronuclear tem enfrentado desafios financeiros significativos. Os custos operacionais e o serviço da dívida referente a Angra 3 têm pressionado o caixa da empresa, que já consumiu cerca de R$ 1,4 bilhão de recursos próprios desde setembro de 2024.
Essa situação se agrava pelo fato de que as tarifas atuais das usinas Angra 1 e Angra 2 não são suficientes para suprir integralmente tais despesas. O pedido formal por este aporte financeiro foi detalhado em um ofício enviado pelo Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, aos seus colegas das pastas de Planejamento, Fazenda e Gestão.
O ministro destacou a necessidade de manter a:
sobrevivência institucional e técnica de Angra 3.
Para isso, um montante mínimo estimado em R$ 1,03 bilhão para 2027 é necessário, cobrindo licenciamento, engenharia e suprimentos.
Apesar da magnitude dos gastos previstos, a necessidade de financiamento externo foi mitigada pela negociação de uma suspensão temporária dos pagamentos de empréstimos com o BNDES e planos similares com a Caixa Econômica Federal.
Essas medidas de alívio financeiro, que se estendem até o final de 2027, liberam cerca de R$ 290 milhões no orçamento da companhia para honrar outras obrigações contratuais ainda em 2026.
A sustentação financeira para 2027 depende, em parte, de um aporte de R$ 365 milhões por parte do acionista minoritário, a Axia Energia (antiga Eletrobras), cuja participação na Eletronuclear está em processo de venda para a Âmbar Energia, ligada à J&F.
A falta de definição sobre a participação deste sócio na cobertura do aporte adiciona uma camada de complexidade, indicando que a União poderá ter que arcar com parte ou a totalidade do valor caso o acionista minoritário não realize o repasse.
As notas técnicas da ENBPar ressaltam a importância de preservar o valor econômico e estratégico do ativo de Angra 3, evitando custos adicionais e garantindo as condições mínimas para a continuidade jurídica e técnica do projeto, enquanto se aguarda a decisão governamental sobre sua conclusão.
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