O Grupo Vaccaro está investindo R$ 155 milhões em uma nova usina de biodiesel em Erechim, ampliando a matriz energética sustentável com capacidade de 180 milhões de litros anuais.
O setor de energia renovável no Rio Grande do Sul ganha um novo protagonista com o ambicioso projeto do Grupo Vaccaro. Em seu parque industrial localizado em Erechim, a companhia está erguendo uma moderna unidade fabril dedicada à produção de biodiesel, reforçando o compromisso com a transição energética e a sustentabilidade no campo.
Com um aporte financeiro robusto de R$ 155 milhões, a iniciativa visa aproveitar a força da cadeia agropecuária regional para fomentar o mercado de biocombustíveis. O projeto, que já se encontra em estágio avançado de montagem de estruturas, posiciona a empresa de forma estratégica em um mercado aquecido pela recente elevação do teor de mistura obrigatória no diesel brasileiro.
Verticalização e aproveitamento da soja
A nova planta não é um empreendimento isolado, mas sim uma peça chave no processo de verticalização do complexo industrial da Vaccaro. A empresa, que já domina o esmagamento de grãos, agora utilizará o óleo de soja e gorduras animais produzidos internamente como insumo principal para a fabricação do biocombustível.
Esta integração operacional permite que o grupo agregue valor a toda a cadeia, reduzindo a dependência externa e otimizando o escoamento de seus subprodutos. O modelo de negócio prevê uma produção diária inicial de 300 metros cúbicos, com potencial de expansão para 600 metros cúbicos diários após a fase de maturação do projeto.
Carlos Vaccaro destacou:
“A decisão de investir no biodiesel considera a disponibilidade de grãos no norte gaúcho e a crescente demanda por fontes de energia renovável, visando agregar valor à produção regional”
Impacto e contexto regulatório
A entrada do grupo no segmento de biocombustíveis coincide com um marco importante para o setor: a consolidação do B15. Desde agosto de 2025, o mercado brasileiro opera com uma mistura obrigatória de 15% de biodiesel ao diesel fóssil, uma medida do Conselho Nacional de Política Energética que impulsiona a demanda interna e justifica a expansão da capacidade produtiva instalada no país.
A expectativa é que a unidade de Erechim esteja operacional entre o primeiro semestre de 2027. Antes do início da produção comercial, a planta passará pelo rigoroso processo de certificação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que garante os padrões de segurança e qualidade do combustível que chegará aos tanques dos veículos.
Além do biodiesel, o complexo industrial está recebendo uma nova fábrica de ração animal, com investimento de R$ 10 milhões. A estratégia de longo prazo do grupo é clara: transformar cada etapa do processamento da soja — do farelo ao óleo — em produtos finais com maior valor agregado, fortalecendo sua posição econômica e ampliando significativamente suas receitas nos próximos anos.

















