O governo federal prorrogou por mais um mês a desoneração de combustíveis para mitigar impactos da guerra internacional nos preços da gasolina, etanol e diesel em todo o território nacional.
Em uma tentativa de blindar o bolso dos consumidores brasileiros contra a volatilidade do mercado internacional, o governo federal anunciou nesta sexta-feira (9) uma nova rodada de cortes tributários sobre itens essenciais da matriz energética.
A medida abrange a gasolina, o etanol e o diesel, com vigência estendida de 30 dias para enfrentar os desdobramentos dos conflitos geopolíticos que continuam pressionando as cotações globais.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que a estratégia envolve não apenas a prorrogação de alíquotas reduzidas, mas também um reforço nas políticas de subvenção aos biocombustíveis.
O objetivo principal é manter a previsibilidade no abastecimento interno e evitar que choques externos sejam transferidos integralmente para a inflação nacional, um desafio constante para a estabilidade econômica do país.
Monitoramento e estratégia de preços
Segundo o governo, as decisões são tomadas com base em um acompanhamento diário das margens de refino e das oscilações do petróleo tipo Brent.
O Executivo busca um equilíbrio delicado entre a necessidade de arrecadação e a urgência de preservar o poder de compra da população, utilizando instrumentos como o PIS/Cofins e a Cide para controlar os valores finais nas bombas.
Dario Durigan afirmou:
A gente tem acompanhado a variação de preço, e não só a variação do Brent, mas também as margens de refino e as diferenças de preço que têm aparecido.
Foco em biocombustíveis e diesel
A política de desoneração traz um olhar atento para o etanol hidratado, buscando fortalecer a competitividade dos biocombustíveis frente aos derivados fósseis.
Essa diretriz alinha-se ao compromisso do país com a transição energética e segue orientações estratégicas aprovadas pelo Congresso Nacional, que visam incentivar alternativas menos dependentes da volatilidade do petróleo.
Já para o diesel, o foco é a segurança logística. Ao elevar a subvenção econômica, o governo tenta mitigar o impacto dos custos de frete, essenciais para o escoamento da produção e para a manutenção da atividade econômica em diversos setores que dependem do transporte rodoviário de cargas.
Inflação sob análise
Para justificar a eficácia das intervenções, o ministério citou os recentes dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou setembro de 2026 com um acumulado de 4,58% em 12 meses.
O governo sustenta que, apesar do cenário de guerra, o índice atual é inferior ao registrado em 2022, período que também sofreu com fortes pressões inflacionárias internacionais.
Embora o cenário exija cautela, a prorrogação da desoneração representa um fôlego temporário para o mercado. O próximo mês será decisivo para avaliar se o prolongamento dessas medidas será suficiente para estabilizar o custo de vida dos brasileiros ou se novos ajustes serão necessários à medida que o conflito global evolui.
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