A tramitação da PEC que propõe o fim da escala 6×1 no Senado sofreu um revés estratégico. Governo adia votação após identificar falta de quórum para garantir aprovação.
A tentativa de avançar rapidamente com a proposta que altera o regime de trabalho no país encontrou um obstáculo decisivo no Senado Federal. Apesar da aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o governo recuou da decisão de levar a PEC 221/2019 ao plenário nesta quarta-feira, reconhecendo a articulação bem-sucedida da oposição em esvaziar a sessão.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT/AP), confirmou que a decisão de adiar a votação foi tomada após uma contagem rigorosa de votos. O governo percebeu que não conseguiria atingir o patamar mínimo de 49 votos favoráveis, essenciais para a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição, optando por evitar uma derrota pública no plenário.
Desafios na articulação política e resistências
A resistência não veio apenas da oposição tradicional. Setores do Centrão, influenciados pelo lobby de representantes do empresariado, demonstraram cautela diante da transição para a escala 5×2. O receio é de que a mudança na carga horária possa gerar impactos econômicos imediatos se não for acompanhada de mecanismos de adaptação setorial.
O senador Randolfe Rodrigues afirmou:
A mobilização da oposição para esvaziar a sessão foi eficaz, e o governo prefere agora um processo mais maduro para garantir que a proposta tenha a segurança jurídica necessária para ser aprovada até o final de outubro.
O relator da matéria na comissão, senador Omar Aziz (PSD/AM), chegou a rejeitar 36 emendas para agilizar o trâmite e evitar o retorno do texto à Câmara dos Deputados. Contudo, a estratégia de celeridade enfrentou a necessidade de ajustes mais profundos, defendidos por parlamentares como Eduardo Braga (MDB/AM), que sugere uma PEC paralela para contemplar regimes especiais, como o trabalho embarcado.
Impactos e perspectivas futuras
Com o adiamento, o tema ganha um novo fôlego político que se estende para o período pós-eleitoral. A expectativa é que o calendário de votações seja retomado após o segundo turno das eleições, previsto para o final de outubro. Até lá, a legislação vigente e os atuais acordos coletivos continuam preservados.
O adiamento estratégico permite que o governo tente neutralizar as resistências do setor produtivo e ajustar os detalhes técnicos da proposta. O objetivo principal é garantir que a transição para jornadas de trabalho mais flexíveis ocorra sem comprometer a estabilidade de setores que operam em regime de funcionamento contínuo, mantendo a segurança dos trabalhadores e das empresas envolvidas.















