A PPSA lançou o pré-edital para a venda de 1,1 milhão de m³ diários de gás natural, focando em setores industriais estratégicos para alavancar a competitividade nacional a partir de 2027.
A Pré-Sal Petróleo SA (PPSA) deu um passo decisivo para ampliar o suprimento energético voltado ao setor produtivo brasileiro. A estatal abriu consulta pública para o futuro leilão de gás natural da União, que ofertará um volume diário de 1,1 milhão de metros cúbicos. O certame está agendado para o dia 22 de outubro e a entrega do insumo está prevista para ocorrer entre março e dezembro de 2027.
Esta iniciativa, fundamentada pela Portaria nº 141/2026 do Ministério de Minas e Energia (MME), estabelece uma estratégia clara de priorização. O objetivo central é fornecer condições mais competitivas para segmentos específicos, considerados motores da economia brasileira, que dependem diretamente da estabilidade do preço do gás.
Prioridade para a indústria de base
O desenho do leilão segmenta o volume total em lotes voltados a áreas estratégicas. Os setores petroquímico e químico lideram a oferta com 350 mil m³ diários, seguidos por siderurgia, metalurgia e mineração, com 320 mil m³. Também foram contempladas as indústrias de cerâmica, fertilizantes nitrogenados e vidros.
Para garantir a ampla participação, cada consumidor terá um limite inicial de arremate de 160 mil m³ por dia. Caso o volume ofertado não seja integralmente absorvido na rodada de abertura, o edital permite que os licitantes disputem as sobras sem restrições de teto, abrindo espaço para consumidores livres e agentes de mercado caso a demanda industrial seja suprida.
Criterios de seleção e competitividade
De acordo com Luis Fernando Paroli, presidente da PPSA, a seleção das indústrias não foi aleatória. O governo utilizou critérios como a relevância estrutural do combustível, o peso do custo do gás no preço final do produto e o nível de ociosidade das plantas fabris no Brasil.
“O grau de ociosidade indica que, de fato, essa indústria não está competitiva no Brasil, está simplesmente sobrevivendo”, destacou Paroli durante sua participação no evento ROG.e, reforçando a necessidade de políticas que retomem o dinamismo do setor.
Indexação estável e logística
O modelo de precificação do leilão optou pela indexação ao Henry Hub, referência internacional de preços de gás, acrescido de um prêmio a ser definido no certame. A escolha visa mitigar a volatilidade comum a outras referências, como o Brent, garantindo maior previsibilidade para os contratos de longo prazo.
O gás será disponibilizado no Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro, especificamente na Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí. Após o recebimento na planta, caberá aos vencedores a responsabilidade pelo transporte até suas unidades, garantindo a logística via contratos firmados com carregadores habilitados junto à ANP. Esse movimento, viabilizado por uma parceria estratégica entre a PPSA e a Petrobras, marca um avanço importante na gestão da parcela de gás pertencente à União.
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