Com foco em neoindustrialização, o Fórum Powershoring estabelece meta de captar R$ 77 bilhões para impulsionar cadeias produtivas de baixo carbono e fortalecer a economia do Nordeste até 2030.
Uma coalizão estratégica formada pelo Consórcio Nordeste, Banco do Brasil e Instituto Clima e Sociedade (iCS) deu um passo decisivo para transformar a vocação energética da região em um motor de desenvolvimento industrial. Nesta quarta-feira (29/7), foi oficializada a Carta Compromisso do Fórum Powershoring, iniciativa que ambiciona atrair R$ 77 bilhões em aportes voltados a tecnologias sustentáveis.
A estratégia baseia-se em utilizar o excedente de energia renovável — que hoje enfrenta desafios de escoamento e cortes de geração, conhecidos como curtailment — como um diferencial competitivo para atrair fábricas de alto consumo energético. O projeto visa consolidar o Nordeste como um protagonista global na oferta de soluções de descarbonização, com foco especial em combustíveis sustentáveis.
Impacto econômico e metas ambientais
Para além da atração de capital, o plano estabelece metas operacionais claras. O objetivo é reduzir as emissões em 20 milhões de toneladas de CO2 equivalente e estimular o mercado interno, aumentando em 5% o volume de contratações de fornecedores locais. Projeções do economista Jorge Arbache indicam que, em um cenário de maior engajamento público e privado, o fluxo de investimentos pode atingir US$ 60 bilhões, gerando um incremento de até 3,6% no PIB regional até 2035.
“O Brasil e a região Nordeste, em particular, têm esse potencial de ser um hub de soluções de baixo carbono para o mundo”, afirma Victoria Santos, gerente de Energia e Indústria do iCS.
Logística e diversificação industrial
O Fórum Powershoring estruturou cinco grupos de trabalho para viabilizar essa meta, concentrando-se em gargalos como infraestrutura, logística, financiamento e capacitação profissional. A ideia é criar corredores industriais verdes que aproveitem a proximidade com portos estratégicos.
Estados como Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte já despontam como hubs de hidrogênio verde. Exemplos práticos incluem a futura produção de e-metanol no Porto de Suape e o avanço da amônia verde no Porto do Pecém. Esses projetos não apenas viabilizam a exportação, mas servem como âncoras para reindustrializar a região com processos de baixa emissão de carbono, integrando a indústria local às exigências globais de transição energética.





















