A Ericsson intensifica sua atuação no setor de utilities brasileiro, criando uma unidade de negócios focada em digitalizar a infraestrutura das distribuidoras de energia através de redes privadas de conectividade.
A busca por maior eficiência nas redes elétricas brasileiras ganhou um novo protagonista tecnológico.
A Ericsson consolidou uma estrutura comercial dedicada exclusivamente ao mercado de utilities, mirando a modernização operacional das distribuidoras de energia.
O movimento ocorre em um momento em que o setor enfrenta o desafio de integrar novas fontes de energia e melhorar a resiliência de seus ativos.
Com foco estratégico na frequência de 450 MHz, a companhia sueca busca atender a uma demanda crescente por automação.
A tecnologia permite que distribuidoras de energia, água e gás avancem na digitalização de suas operações de campo, garantindo maior controle sobre equipamentos essenciais e otimizando o tempo de resposta em situações críticas.
Conectividade como ativo estratégico
O mercado de energia tem demonstrado um interesse crescente em gerir suas próprias redes de telecomunicações.
Segundo Paulo Bernardocki, diretor de Soluções e Tecnologia da Ericsson, o setor elétrico se destaca como o mais avançado nesse processo de adoção tecnológica.
Atualmente, o ecossistema potencial abrange entre 70 e 80 empresas de utilities no Brasil, todas sob o radar da gigante de tecnologia.
Paulo Bernardocki afirmou:
A capitalização, geralmente, é o que a gente vê com mais frequência
Essa preferência pela capitalização dos investimentos reflete uma mudança de postura nas distribuidoras.
Em vez de optar por modelos de serviço, as empresas do setor buscam incorporar a infraestrutura de rede ao seu patrimônio.
O objetivo é garantir independência operacional e evitar a dependência de terceiros em momentos de falhas sistêmicas, tratando a rede como um ativo crítico do negócio.
O futuro com a Geração Distribuída
A proliferação da Geração Distribuída (GD) é um dos catalisadores dessa transformação.
Com a entrada constante de novos pontos de injeção de energia na rede, a capacidade de monitoramento granular torna-se vital.
Para a Ericsson, a conectividade móvel oferece a visibilidade necessária para que o controle da rede não dependa mais de operações manuais ou de telefonemas para equipes em campo.
A empresa tem utilizado seu centro de testes em parceria com o CPQD, em Campinas, para validar a eficácia dessa cobertura em longas distâncias.
Com um alcance de até 40 quilômetros por estação radiobase, a solução móvel apresenta-se como um complemento robusto à fibra óptica em áreas rurais e de difícil acesso, posicionando-se à frente das soluções via satélite em termos de custo-benefício.
A tendência é que a exigência regulatória por disponibilidade de energia e controle técnico continue pressionando as distribuidoras.
Conforme a rede se torna mais inteligente, a digitalização deixa de ser apenas uma vantagem competitiva para se tornar um requisito de sobrevivência operacional no mercado de energia limpa e conectada.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Axia Energia Sul e Vibra levantam R$ 1,4 bilhão em debêntures com prazo de 20 anos
· Negócios
LEIA MAIS
Itaú busca aval do Cade para ampliar participação na Equatorial Energia
· Negócios
LEIA MAIS
Startup Exa Energia recebe US$ 400 mil para expandir plataforma solar em blockchain
· Negócios
LEIA MAIS














