A EPE fixou os critérios técnicos e operacionais para a qualificação de usinas hidrelétricas reversíveis em leilões, impulsionando a segurança e a estocagem de energia limpa no país.
Para fortalecer a estabilidade da matriz elétrica nacional, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) definiu as diretrizes para o cadastramento e a habilitação de sistemas de armazenamento hidráulico.
As novas regras miram o credenciamento de usinas hidrelétricas reversíveis em futuros certames do setor.
Essa modalidade atua como uma grande bateria hidráulica, utilizando energia nos momentos de baixa demanda para bombear água até um reservatório superior.
Nos horários de pico, o recurso é liberado para gerar eletricidade rápida, garantindo flexibilidade operacional ao sistema.
As instruções técnicas estabelecem uma série de exigências metodológicas e documentais relativas à eficiência do ciclo, limites operacionais e impactos na infraestrutura hídrica existente.
Exigências de eficiência e apoio à rede elétrica
Os desenvolvedores de projetos deverão comprovar a capacidade contínua de fornecimento de potência e o tempo exigido para recompor o estoque hídrico.
Além disso, será obrigatório detalhar as taxas de variação de carga e eventuais restrições da usina.
Entre os critérios centrais está a apresentação do cálculo de rendimento do ciclo global, conhecido no setor como round-trip efficiency (RTE).
A métrica relaciona a energia gerada à energia consumida durante o bombeamento, considerando perdas elétricas e hidráulicas.
“Após o prazo final de cadastramento, não serão permitidas alterações nas características técnicas dos projetos, incluindo potência, capacidade de armazenamento, tecnologia e ponto de conexão.”
Outro aspecto relevante envolve a prestação de serviços ancilares para a rede.
Os empreendimentos deverão indicar sua aptidão para atuar no controle de frequência, suporte de potência reativa e autorrestabelecimento do sistema elétrico.
Disponibilidade hídrica e conexão à rede
As regras também abrangem a sustentabilidade dos reservatórios.
Os investidores terão de comprovar a disponibilidade de água, os planos para o primeiro enchimento e a recomposição de perdas provocadas por evaporação ou infiltração.
Caso haja conexão hidráulica com outros empreendimentos, será necessário analisar os impactos operacionais conjuntos.
Em relação ao acesso à rede, a documentação deve englobar tanto o consumo no bombeamento quanto a injeção na geração.
O atendimento aos requisitos ambientais, outorgas de uso da água e a comprovação do direito de uso dos terrenos permanecem como condições indispensáveis para a habilitação técnica pela EPE.
Mapeamento e próximos passos no mercado
As orientações atendem a diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Como parte do cronograma de implementação, a EPE abrirá uma chamada de projetos a partir de novembro para mapear as iniciativas em desenvolvimento no país.
A etapa terá caráter consultivo e informativo, servindo para subsidiar a estruturação dos futuros leilões de reserva de capacidade.
A iniciativa representa um passo fundamental para integrar soluções de armazenamento de longa duração à matriz energética brasileira.
















