Energisa bloqueia novos projetos de mini GD em regiões com rede elétrica saturada

Energisa bloqueia novos projetos de mini GD em regiões com rede elétrica saturada
Energisa bloqueia novos projetos de mini GD em regiões com rede elétrica saturada - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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A Energisa suspendeu novas autorizações para projetos de minigeração distribuída em regiões com redes saturadas, visando conter o estresse elétrico causado pelo fluxo reverso de energia.

A expansão da Geração Distribuída (GD) no Brasil chegou a um ponto de inflexão crítico. Durante o evento Aquecimento MinutoMega Talks, realizado no Rio de Janeiro, o vice‑presidente de Regulação e Relações Institucionais da Energisa, Fernando Maia, anunciou que a companhia interrompeu a aprovação de novas usinas de minigeração em áreas onde a infraestrutura local atingiu o limite de sua capacidade operacional.

A decisão, segundo a empresa, não afeta contratos ou projetos já validados, mantendo a segurança jurídica do setor. O foco da medida é evitar o agravamento das restrições técnicas em locais onde a rede de distribuição enfrenta dificuldades severas para absorver o fluxo reverso — fenômeno que ocorre quando a energia produzida pelos consumidores retorna para a rede de alta tensão, sobrecarregando o sistema.

Desafios técnicos no Mato Grosso, Acre e Rondônia

O esgotamento da capacidade elétrica é mais evidente em estados como Mato Grosso, Acre e Rondônia. Nessas regiões, a infraestrutura atual não consegue comportar a crescente carga injetada pela geração renovável descentralizada. Embora a proibição atual esteja focada na minigeração, o setor ainda observa um avanço constante da microgeração, como os painéis fotovoltaicos residenciais, que crescem a uma média de 60 MW mensais nas concessões da empresa.

“Quando você está no buraco, o primeiro cuidado é parar de cavar”, pontuou Maia ao justificar a necessidade da medida restritiva diante do desafio de manter a estabilidade do fornecimento.

O executivo ressaltou que o problema transcende a gestão local, aludindo à “curva do pato” — um fenômeno sistêmico onde a oferta de energia solar atinge o pico durante o dia, mas cai drasticamente no fim da tarde, exigindo uma resposta rápida e custosa das fontes convencionais para suprir a demanda noturna.

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O futuro da gestão da rede elétrica

Para evitar um colapso gradual, a Energisa defende uma atuação conjunta com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Operador Nacional do Sistema (ONS). O objetivo é implementar medidas estruturais e mais assertivas, tratando o problema na raiz, em vez de depender apenas de expansões lentas na rede básica.

A visão da companhia é que as distribuidoras devem evoluir para um papel de gestoras locais, operando de forma similar a um DSO (Distribution System Operator). Isso permitiria uma maior observabilidade e controle da rede, integrando tecnologias como sistemas de armazenamento em baterias e cargas flexíveis. Segundo a Energisa, essa transição exige um novo marco regulatório e investimentos pesados em digitalização, posicionando as distribuidoras como os “maestros auxiliares” do ONS, essenciais para gerenciar a energia que flui “de baixo para cima”.

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