Relatório da Irena aponta que a combinação de solar e eólica com armazenamento já oferece energia firme e barata, colocando em xeque a dependência brasileira por usinas térmicas a combustíveis fósseis.
Uma nova análise da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena) revela uma mudança de paradigma no mercado global de energia. Projetos que integram fontes solares e eólicas a sistemas de armazenamento em baterias (BESS) estão conseguindo entregar eletricidade ininterrupta com custos significativamente menores do que os das usinas movidas a combustíveis fósseis.
O levantamento indica que o custo nivelado de energia (LCOE) para soluções firmes caiu drasticamente nos últimos anos. A expectativa é que, até 2030, esses valores cheguem a patamares entre US$ 44 e US$ 58/MWh. A eficiência econômica é impulsionada pela queda expressiva no preço das tecnologias de painéis fotovoltaicos e baterias, além da maior agilidade na implementação dos projetos, que podem ser conectados à rede em até dois anos após o licenciamento.
O embate no mercado brasileiro
Enquanto o cenário internacional avança rumo à descarbonização com o apoio de tecnologias de armazenamento, o Brasil vive um momento de forte fricção política e técnica. O recente leilão de capacidade (LRCAP) de 2026 priorizou a contratação de usinas térmicas a gás natural e carvão, decisão que tem sido duramente questionada por especialistas e parlamentares.
O deputado Danilo Forte, ao recomendar ao Tribunal de Contas da União (TCU) a anulação do certame, defendeu que o país deveria priorizar alternativas mais ágeis e sustentáveis. Para críticos, como a Frente dos Consumidores de Energia, o governo está ignorando o potencial das baterias em favor de fósseis, o que pode resultar em sobreoferta estrutural e pressão de alta nas tarifas de energia elétrica.
Futuro da transição energética
O país ainda aguarda a definição das regras para o primeiro leilão de baterias, uma iniciativa vista como fundamental para consolidar a segurança energética sem recorrer a fontes poluentes. Contudo, o sucesso desse projeto enfrenta incertezas após o volume expressivo de térmicas contratadas recentemente.
O debate aponta para um descompasso crescente entre as escolhas de planejamento energético do Brasil e a realidade global, onde o armazenamento se consolida como a peça-chave para viabilizar a transição energética e garantir competitividade aos consumidores a longo prazo.























