Big techs garantem flexibilidade climática e evitam restrições rígidas para data centers movidos a gás após intensa atuação de lobby.
As gigantes da tecnologia, como Meta e Amazon, conquistaram uma vitória estratégica em relação às suas políticas de sustentabilidade. Após uma intensa movimentação de bastidores e pressão sobre organismos de controle ambiental, essas empresas conseguiram contornar propostas de normas que limitariam a forma como contabilizam o uso de energia renovável em suas operações.
O cerne da disputa envolvia a Science Based Targets initiative (SBTi), que pretendia implementar critérios mais rigorosos para data centers que dependem de combustíveis fósseis. Pelas regras que estavam em discussão, essas unidades teriam maior dificuldade em declarar que suas necessidades energéticas eram supridas por fontes limpas, caso não houvesse uma correspondência temporal e geográfica precisa entre o consumo e a geração.
No entanto, o padrão aprovado recentemente pela SBTi — e que deve ser formalizado nas próximas semanas — optou por tornar a “correspondência horária” opcional. O argumento central das empresas de tecnologia foi que as exigências anteriores seriam financeiramente insustentáveis e, ironicamente, poderiam desestimular novos aportes no setor de energias renováveis.
Essa decisão representa um alívio para o setor, que enfrenta uma demanda crescente por eletricidade impulsionada pelo avanço da inteligência artificial. Com a flexibilidade garantida, as big techs mantêm a possibilidade de alegar que seus empreendimentos, mesmo aqueles que ainda recorrem ao gás natural, estão amparados por seus investimentos globais em energia solar, eólica e hidrelétrica.
Apesar da vitória corporativa, o debate sobre a real transparência das emissões de carbono continua. Enquanto grupos de pressão defendem a viabilidade econômica do modelo atual, especialistas técnicos e outras organizações do setor sustentam que a contabilidade baseada em métricas horárias seria uma forma muito mais eficaz e rápida de reduzir a emissão de gases de efeito estufa. O desfecho dessa disputa reforça o poder de influência dessas corporações frente aos órgãos globais de regulação climática.























