Uma iniciativa inovadora utiliza drones para realizar o controle biológico em canaviais. A tecnologia automatiza a liberação de vespas, combatendo pragas de forma sustentável e reduzindo drasticamente a necessidade de defensivos químicos nas lavouras.
A modernização do campo brasileiro ganha um aliado estratégico na busca por maior eficiência e sustentabilidade. Uma tecnologia pioneira, desenvolvida pela empresa Sardrones em parceria com a Unidade Embrapii da Esalq/USP, está revolucionando o combate à broca da cana-de-açúcar. Ao substituir a aplicação manual por sistemas aéreos autônomos, o projeto transforma o manejo agrícola em uma operação de alta precisão.
O ponto mais relevante desta inovação é a capacidade de mecanizar o controle biológico em larga escala. Ao utilizar drones para dispersar vespas — inimigas naturais da praga — de forma homogênea e rápida, o setor não apenas otimiza o uso de mão de obra, mas também promove uma mudança significativa na gestão ambiental, diminuindo a dependência de produtos químicos nocivos no cultivo da cana.
A transição do manejo manual para a automação
O controle biológico tradicional apresentava desafios operacionais consideráveis. O método manual, que exige o deslocamento constante de trabalhadores pelas plantações, é frequentemente insalubre. Segundo Gustavo Scarpari, fundador da Sardrones:
“É um trabalho perigoso, com calor, presença de animais e esforço físico elevado com baixo rendimento.”
Para superar essas barreiras, o projeto implementou o uso de drones equipados com dispensadores de alta precisão. Eles realizam a liberação da vespa Cotesia flavipes através de embalagens biodegradáveis, garantindo que o agente biológico alcance o foco da infestação de maneira uniforme, independentemente da extensão do talhão.
Ciência e sustentabilidade no campo
O suporte da Embrapii foi fundamental para que a tecnologia atingisse a escala industrial necessária. A pesquisa realizada na Esalq/USP permitiu refinar os protocolos de aplicação. O entomologista José Maurício Bento explica que o sucesso do método depende de variáveis técnicas precisas, como horários de voo e densidade de liberação, maximizando o custo-benefício para o produtor.
“Trabalhamos na definição da melhor forma de aplicação, número ideal de liberações, horários e custo-benefício, além de avaliar a eficiência do método.”
Além da eficiência agronômica, a adoção dessa tecnologia reflete diretamente na sustentabilidade do setor sucroenergético. Ao reduzir o uso de inseticidas, a prática preserva a fauna local e auxilia as empresas a conquistarem certificações internacionais de ESG, elevando o valor agregado do açúcar produzido com processos mais limpos.
Perspectivas e escalabilidade
O impacto positivo do controle biológico automatizado já ultrapassa as fronteiras da cana-de-açúcar. A solução tem sido aplicada com sucesso em outras culturas importantes do agronegócio, como a soja, o milho e o café. Esse movimento demonstra como a colaboração entre centros de pesquisa e a iniciativa privada é vital para a evolução da agricultura de precisão.
À medida que o setor adota tecnologias mais verdes, a tendência é que o uso de insumos químicos diminua progressivamente. Com mais rastreabilidade e dados fornecidos pelos mapas de voo dos drones, o produtor ganha segurança operacional e competitividade, consolidando o Brasil como referência mundial em práticas agrícolas sustentáveis e inovadoras.





















