Pesquisa revela que, apesar do forte desejo dos brasileiros pela liberdade de escolha na conta de luz, a falta de conhecimento sobre o mercado livre de energia ainda é preocupante.
A democratização do acesso ao mercado livre de energia enfrenta um obstáculo cultural e informativo significativo. À medida que o Brasil se prepara para estender a possibilidade de escolha do fornecedor de eletricidade aos consumidores residenciais a partir de 2028, uma barreira de desconhecimento se torna evidente. Dados recentes da Bow-e, braço de geração distribuída do Grupo Bolt, revelam que a maior parte da população ainda se sente alheia ao funcionamento do sistema elétrico nacional.
O levantamento, conduzido com mais de 200 consumidores, aponta um paradoxo: embora a vasta maioria demonstre um claro interesse em gerenciar a própria compra de energia, o nível de letramento sobre as mudanças regulatórias é baixo. Esse cenário indica que o sucesso da abertura plena do setor dependerá menos da tecnologia e mais de estratégias eficazes de comunicação e educação do consumidor.
Preço e Sustentabilidade como motores da mudança
A percepção de que a energia é um serviço estático, sem margem de negociação, está enraizada no brasileiro. Segundo a pesquisa, cerca de 38% dos entrevistados ainda acreditam que a migração para o mercado livre é um privilégio restrito a grandes indústrias e empresas de grande porte. Na realidade, o acesso já é uma realidade para consumidores conectados em alta tensão, com expansões progressivas previstas para os próximos anos.
“Os dados mostram que existe uma demanda espontânea por liberdade de escolha antes mesmo de o consumidor conhecer a mudança regulatória. Isso significa que o desafio do setor não será despertar interesse, mas ampliar o acesso à informação para que as pessoas entendam como o mercado funciona e a partir disso, tomar decisões conscientes quando a abertura ocorrer.”
Essa análise, feita por Ciro Neto, CEO da Bow-e, reforça que, uma vez esclarecido o funcionamento do ambiente de contratação livre, a tendência é uma adesão expressiva por parte das residências, que buscam alternativas mais vantajosas para o orçamento doméstico.
O impacto da desinformação no setor elétrico
Quando questionados sobre quais elementos seriam fundamentais para trocar de fornecedor, a economia financeira dominou as respostas. Para 67,4% dos participantes, o valor da tarifa é o motor principal para migrar de empresa. Contudo, outros atributos começam a ganhar relevância no radar do consumidor, como a qualidade do suporte ao cliente, a oferta de energia proveniente de matrizes limpas — como a energia solar — e a existência de programas de fidelidade.
Conforme o mercado amadurece, a competição entre comercializadoras deve transcender o simples corte de gastos. O futuro do setor elétrico aponta para um cenário onde a transparência e os serviços personalizados definirão o sucesso das empresas perante o consumidor final. A transição para 2028, portanto, não será apenas um marco regulatório, mas uma transformação completa na relação entre o brasileiro e a sua forma de consumir energia.
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