Data centers dominam disputa por energia em SP, acirrando debate sobre infraestrutura de transmissão.
O setor de data centers demonstrou sua força ao garantir a totalidade da capacidade de transmissão de energia disponibilizada em São Paulo em um leilão federal. Três empresas ligadas a esses empreendimentos arremataram 228 MW, um volume expressivo, no primeiro processo competitivo da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST).
Este movimento ocorre em um momento crucial para a expansão da infraestrutura digital no Brasil, impulsionada também por incentivos fiscais como o Redata. A vitória dos data centers levanta discussões importantes sobre a capacidade da rede de transmissão nacional em suportar a crescente demanda energética desses complexos.
Avanço dos Gigantes Digitais
Os empreendimentos vencedores foram o Pahlavan One e Pahlavan Three, ambos parte do projeto Complexo Pahlavan em Paulínia (SP), controlados pela global CloudHQ. A terceira empresa a garantir capacidade foi a Digital DC Brasil, operando como NextStream, um player consolidado em infraestrutura digital na América Latina.
Essas companhias asseguraram 100% dos 228 MW oferecidos pelo governo federal em São Paulo. O certame contou com a participação de sete empreendimentos, que somaram uma demanda habilitada de 451 MW, evidenciando a intensa competição pelo acesso à rede básica.
Debate sobre a Infraestrutura de Transmissão
A conquista dos data centers acende um alerta no setor elétrico sobre a necessidade de acelerar a expansão do sistema de transmissão brasileiro. Especialistas apontam que o ritmo atual pode se tornar um gargalo para o desenvolvimento de mais data centers no país.
Um especialista do setor, que prefere não ser identificado, comentou:
A expansão da rede de transmissão precisa acompanhar o ritmo da demanda. Precisamos de mais investimentos e mais leilões para garantir que o Brasil possa receber esses empreendimentos de forma sustentável e eficiente.
A PNAST, implementada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), busca otimizar o acesso à rede de transmissão, substituindo o antigo sistema de “fila aberta”. O novo modelo prevê “Temporadas de Acesso” periódicas, onde os pedidos são avaliados conjuntamente, considerando a capacidade disponível e critérios técnicos.
Próximos Passos e Impacto
A partir de 2027, a PNAST contará com duas temporadas de acesso anuais, o que deve aumentar a previsibilidade e a eficiência na concessão de acesso à rede. A demanda total registrada na primeira temporada ultrapassou os 43 GW, com cerca de 30,7 GW sendo viabilizados.
A forte presença dos data centers neste primeiro processo competitivo sinaliza uma tendência clara. O Brasil se consolida como um destino atrativo para a infraestrutura digital, mas o sucesso a longo prazo dependerá da capacidade do país em expandir sua malha de transmissão de energia de forma robusta e planejada.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
MME aposta em digitalização para colocar consumidor no centro do setor elétrico
· Distribuição
LEIA MAIS
Prime Energy fecha contrato para abastecer 68 lojas da AutoZone com energia renovável
· Mercado
LEIA MAIS
Aneel aprova editais para leilões de energia existente marcados para novembro
· Regulação
LEIA MAIS















