O curtailment afetou 10% da geração renovável da Neoenergia no terceiro trimestre de 2026, mas a companhia registrou alta de 27% no lucro líquido, impulsionada pelo forte desempenho das distribuidoras de eletricidade.
A expansão das fontes renováveis no Brasil esbarra em desafios operacionais significativos, como demonstram os recentes dados divulgados pelo setor elétrico. As restrições de despacho, amplamente conhecidas como curtailment, continuam a pressionar os ativos limpos das grandes empresas de energia e exigem adaptações estratégicas rápidas.
Mesmo diante desse cenário adverso para a geração eólica e solar, a Neoenergia apresentou um balanço financeiro resiliente. A companhia fechou o terceiro trimestre de 2026 com resultados expressivos, equilibrando perdas na produção com o avanço no fornecimento de eletricidade aos consumidores finais e novas parcerias estratégicas.
Impacto das restrições e desempenho renovável
Entre julho e setembro, o curtailment teve um peso equivalente a 10% de toda a energia gerada pelos parques renováveis da empresa. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, o índice de corte ficou em 8%, refletindo gargalos na transmissão que limitam a injeção de eletricidade limpa na rede.
A geração eólica sofreu retração de 15% no trimestre, somando 1.467 GWh, pressionada pela menor disponibilidade de vento. Em contrapartida, a geração solar avançou 14% na mesma base de comparação, atingindo 57 GWh. Para mitigar os impactos financeiros, a companhia contabilizou R$ 30 milhões em ressarcimentos referentes às restrições no período.
Apesar dos cortes na geração limpa e dos desafios regulatórios, nossa estratégia diversificada permitiu capturar valor nas redes de distribuição e na comercialização, garantindo um resultado financeiro robusto e sólido para os acionistas.
Crescimento na distribuição e novos investimentos
O principal motor do resultado positivo foi o segmento de redes de distribuição, que registrou alta de 6% no volume de energia entregue, totalizando 19.623 GWh. Temperaturas mais elevadas e a expansão da base, que alcançou 17,25 milhões de clientes, impulsionaram o consumo residencial e rural em diversas regiões do país.
Com esse cenário, o lucro líquido da Neoenergia atingiu R$ 1,18 bilhão, representando um crescimento de 27% frente ao mesmo intervalo do ano anterior. O Ebitda consolidado subiu 6%, alcançando R$ 3,58 bilhões, enquanto a receita operacional líquida somou R$ 12,02 bilhões.
Perspectivas para o setor de energia limpa
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, os investimentos da companhia totalizaram R$ 6,17 bilhões, com foco na modernização e expansão das redes elétricas geridas pelas concessionárias do grupo. A conclusão de transações estratégicas, como a parceria no setor de transmissão com o fundo soberano de Singapura GIC, também fortaleceu a posição de caixa da empresa.
Para os próximos meses, o mercado de energia limpa no Brasil aguarda avanços regulatórios que reduzam os impactos do curtailment. A otimização da capacidade de transmissão será determinante para assegurar que o potencial eólico e solar do país seja integralmente aproveitado na transição energética.















