Cortes de Energia se Tornam Mais Freqüentes devido à Excessiva Geração Renovável

Cortes de Energia se Tornam Mais Freqüentes devido à Excessiva Geração Renovável
Cortes de Energia se Tornam Mais Freqüentes devido à Excessiva Geração Renovável | Reprodução: Freepik / Pixabay
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O ONS prevê que cortes de energia serão mais comuns nos próximos anos, impulsionados pelo avanço da geração renovável”>geração renovável e desafios na gestão do sistema elétrico brasileiro.

O Brasil, uma nação cada vez mais comprometida com a energia limpa e sustentável, está diante de um paradoxo notável. Segundo Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o país deve se preparar para um cenário de cortes mais frequentes na geração de energia nos próximos anos. A declaração foi feita durante o Enase (Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico) em 17 de junho de 2026, sinalizando um ajuste operacional necessário diante da rápida expansão das fontes renováveis.

Este movimento, embora pareça contraintuitivo em um momento de transição energética, é um reflexo direto da crescente capacidade de produção de energia eólica e, principalmente, solar distribuída. O desafio reside em equilibrar a oferta abundante desses recursos com a demanda flutuante da rede, garantindo a segurança energética e a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A “Barriga do Pato” e o Crescimento Renovável

O cerne do problema, conforme explicado por Zucarato, é o aprofundamento da chamada “barriga do pato”. Este termo técnico descreve a acentuada queda na carga líquida do sistema elétrico durante o dia, período de máxima geração solar, seguida por um pico de demanda no início da noite. Com a carga mínima do sistema elétrico diminuindo anualmente e a geração renovável em ascensão, a capacidade de absorver todo esse excedente se torna um desafio crescente.

O diretor do ONS enfatiza que a solução passa por estratégias que visam “aumentar as pernas do pato” ou “colocar esse pato no regime”. Isso se traduz em elevar a demanda nos momentos de maior oferta ou, alternativamente, mitigar o excesso de produção nesses mesmos períodos. A complexidade da matriz elétrica atual, cada vez mais dependente de fatores climáticos, exige soluções inovadoras e flexíveis para otimizar o fluxo de energia.

Curtailment: Uma Medida de Equilíbrio

Os cortes de geração, conhecidos no setor como curtailment, não são um sinal de escassez, mas sim uma ferramenta de gestão de excedentes. Essa prática é acionada quando a oferta de energia supera significativamente a demanda, ou quando há limitações e restrições na infraestrutura de transmissão e distribuição. É uma medida crucial para prevenir sobrecargas e garantir a segurança operacional do SIN, evitando riscos de elevação da frequência elétrica e desarmes automáticos.

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A relevância do curtailment ganhou destaque em 7 de junho de 2026, quando o ONS ativou, pela primeira vez, o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia. Naquela ocasião, foi solicitado o gerenciamento de 1.000 MW em usinas conectadas à rede de distribuição, entre 10h e 14h, demonstrando a necessidade real e iminente de tais intervenções para manter a estabilidade do sistema elétrico em momentos de baixa demanda combinada com alta geração solar.

“A expectativa é que a cada ano a gente tenha que fazer um uso mais frequente desse recurso, embora a medida ainda seja ‘pontual’ e acionada sempre que o operador identificar risco para o sistema por excesso de geração.”

Inovações Tarifárias e Futuro da Matriz

Para mitigar o problema do excedente de energia, Alexandre Zucarato defende a modernização do sistema tarifário. A ideia é que os consumidores recebam sinais econômicos mais precisos sobre os momentos de sobra e escassez de energia, incentivando o consumo consciente e a realocação da demanda. O exemplo da Austrália, que implementou uma tarifa gratuita em períodos de excedente, foi citado como um modelo a ser estudado e possivelmente adaptado ao contexto brasileiro.

A transição para uma matriz elétrica mais limpa é irreversível e benéfica, mas traz consigo a necessidade de reajustes operacionais e regulatórios. A capacidade do ONS de gerenciar esses desafios, adaptando-se à dinâmica das fontes renováveis, será fundamental para que o Brasil continue avançando na pauta de sustentabilidade sem comprometer a confiabilidade do seu fornecimento de energia. A integração de novas tecnologias e a revisão de políticas de consumo são passos cruciais para um futuro energético mais inteligente e eficiente.

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