CNI propõe política comercial específica para biocombustíveis e alerta para desafios na expansão da produção nacional.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou um estudo detalhado sobre o mercado de biocombustíveis no Brasil, destacando a necessidade urgente de uma política de comércio exterior voltada para o setor. A proposta visa garantir o abastecimento e a competitividade da indústria nacional diante da crescente transição energética.
O documento, intitulado “Combustíveis no Brasil: análise do mercado e perspectivas para a descarbonização”, aponta que o país precisa estar preparado para lidar com a insuficiência da produção interna e volatilidade nos preços. A CNI sugere mecanismos para facilitar importações e, em contrapartida, instrumentos temporários para gerenciar exportações em momentos de escassez.
Expansão da Capacidade Produtiva: Um Imperativo
A expansão das misturas obrigatórias de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel impõe um desafio direto à capacidade produtiva brasileira. A meta da Lei do Combustível do Futuro, que prevê até 35% de etanol (E35) e 25% de biodiesel (B25), exigirá investimentos significativos para que a produção acompanhe o ritmo da demanda.
Misturas superiores a 20% de biodiesel, por exemplo, podem gerar riscos de restrição de oferta se a capacidade industrial não for expandida adequadamente. No caso do etanol, a sazonalidade da matéria-prima e a concorrência com a produção de açúcar também complicam a garantia de um fornecimento contínuo.
Desafios Específicos: Diesel Verde e SAF
Os mercados de diesel verde e de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) são apontados pela CNI como áreas emergentes com desafios particulares. O potencial de demanda para o diesel verde em 2035, estimado em cerca de 2,5 bilhões de litros, ainda não é atendido pela produção nacional.
A expansão desses mercados dependerá de novos investimentos em plantas industriais, acesso a matérias-primas e a infraestrutura logística. A disponibilidade de hidrogênio de baixo carbono também é um fator crucial. O SAF, por sua vez, necessita de um impulso significativo em sua produção para atender à regulamentação nacional, que torna obrigatório o programa de certificação a partir de 2027.
Recomendações para o Futuro
Diante desse cenário, a CNI recomenda a criação de um Comitê Permanente de Monitoramento de Biocombustíveis. Este comitê teria a função de acompanhar de perto a produção, a disponibilidade de insumos e os riscos de abastecimento, além de subsidiar ajustes nas metas e mandatos do setor.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou:
A expansão dos biocombustíveis representa uma oportunidade estratégica para o país, mas sua consolidação dependerá da capacidade de coordenar políticas de demanda e oferta, investimentos produtivos, infraestrutura, financiamento e desenvolvimento tecnológico.
A entidade reforça que o sucesso na consolidação desses combustíveis limpos é vital para a transição energética e a competitividade industrial brasileira.











