O mercado de energia elétrica aguarda a reunião do CMSE nesta quarta-feira (13), que pode redefinir critérios de aversão ao risco e impactar diretamente as tarifas ao consumidor final.
A cúpula do setor elétrico brasileiro volta suas atenções para o encontro do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) marcado para esta semana. O centro da pauta é a revisão dos parâmetros de aversão ao risco (CVaR), que ditam o ritmo de despacho das usinas térmicas e o uso dos recursos hídricos. A decisão é estratégica, pois influencia o custo operacional e, consequentemente, a precificação da energia prevista para 2027.
Atualmente, o país opera sob a premissa 15,40 — um modelo que prioriza a conservação dos reservatórios dando peso de 40% aos cenários hidrológicos mais severos. Enquanto o governo avalia a necessidade dessa rigidez, agentes do setor, incluindo comercializadores e representantes de consumidores, pressionam por uma transição para o critério 15,30, argumentando que a margem de segurança atual é excessiva e onera desnecessariamente o sistema.
O embate entre economia e segurança energética
A controvérsia sobre o CVaR divide opiniões. De um lado, defensores da flexibilização apontam uma sobrecarga financeira significativa. Segundo estimativas de entidades do setor, o modelo conservador impõe um acréscimo de R$ 5,4 bilhões em gastos anuais com térmicas. Para esse grupo, a mudança traria alívio imediato aos preços.
Por outro lado, operadoras de hidrelétricas alertam para os riscos de uma gestão menos cautelosa. Em um cenário de instabilidade climática e aumento da demanda por potência nos horários de pico, a redução dos níveis de água poderia forçar, mais adiante, o acionamento emergencial de usinas a óleo ou gás, cujos custos seriam repassados aos consumidores de forma ainda mais onerosa.
“A busca pelo equilíbrio entre a modicidade tarifária e a garantia de suprimento é o grande desafio deste CMSE, especialmente em um momento de incertezas no mercado livre e flutuações de contratos”
O desfecho desta discussão deve sinalizar o caminho que o Ministério de Minas e Energia (MME) adotará nos próximos anos. Com o prazo final para definição em junho, a reunião de quarta-feira surge como um termômetro vital para investidores e para a indústria que depende de custos previsíveis de eletricidade.
Cenário setorial: de baterias ao mercado de óleo e gás
Além da questão central do CMSE, o setor de energia enfrenta outros dilemas estruturais. O debate sobre a viabilidade das baterias como reserva de capacidade segue em alta, especialmente após os questionamentos no Congresso Nacional sobre o LRCAP. Paralelamente, o mercado de óleo e gás lida com a instabilidade global, o que levou a PPSA a postergar seu leilão de petróleo para o final de agosto, buscando um ambiente macroeconômico menos volátil.
O panorama inflacionário, impulsionado pela alta dos combustíveis como a gasolina, reforça a urgência de uma política energética eficiente. Enquanto novos investimentos em modernização de redes, como os R$ 130 bilhões previstos para a distribuição até 2030, avançam através da renovação de concessões, o governo segue sob pressão para conciliar compromissos ambientais, como o hidrogênio verde, com as contradições do uso de fontes fósseis.






















