Expansão da GD desequilibra mercado de energia e gera alertas para o setor.
A rápida expansão da geração distribuída (GD) no Brasil, especialmente a solar em residências e pequenos empreendimentos, tem sido apontada como um dos fatores que causam desequilíbrio no sistema elétrico nacional. Segundo Karin Luchesi, CEO da Elera Renováveis, o crescimento desse segmento superou as projeções dos planos de expansão energética, levando a uma sobreoferta de energia que impacta a operação e a sustentabilidade do setor.
A executiva destaca a necessidade de ajustes na forma como a energia é precificada e de maior clareza nas regras de compensação para usinas que sofrem interrupções.
A preocupação central reside na velocidade com que a geração distribuída, impulsionada pela queda nos custos dos painéis solares, avançou nos últimos cinco anos. Luchesi explicou em entrevista que essa aceleração gerou um descasamento entre a oferta de energia e a demanda planejada, com um volume de geração residencial muito superior ao previsto.
Ao contrário das grandes usinas, grande parte dessa produção não está sob controle direto do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o que adiciona complexidade à gestão do sistema, principalmente em horários de pico de geração solar, que coincidem com períodos de menor demanda.
Impacto na Operação e na Precificação
O modelo atual de geração distribuída permite que consumidores gerem sua própria energia durante o dia e compensem com eletricidade da rede à noite, quando a produção solar é inexistente.
Karin Luchesi argumenta que essa dinâmica não reflete o valor real da energia em diferentes momentos do dia. A falta de uma sinalização de preço adequada para essa diferença de valor pode incentivar um consumo menos eficiente e mascarar os custos reais para o sistema.
Cortes em Usinas e a Busca por Segurança
O cenário se agrava com o aumento dos cortes impostos pelo ONS em grandes usinas eólicas e solares centralizadas. Em momentos de excesso de oferta, a geração dessas usinas é limitada para manter a estabilidade da rede.
A CEO da Elera defende a criação de uma regulamentação mais transparente sobre quem arca com os custos dessas restrições e como os empreendedores devem ser ressarcidos pela energia não gerada.
A falta de previsibilidade e a redução na receita de projetos renováveis impactam diretamente a capacidade de financiamento e a atratividade de novos investimentos no setor, o que, em última instância, pode comprometer a expansão da oferta e a segurança energética do país a longo prazo.
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