O Brasil avança na energia limpa: a biomassa da cana-de-açúcar já supre 15,8% da Oferta Interna de Energia do país, consolidando-se como pilar fundamental na matriz energética brasileira e fonte de receita para o setor sucroenergético.
A transformação do setor sucroenergético brasileiro vai além da produção de açúcar e etanol. Atualmente, o bagaço e a palha da cana-de-açúcar estão se consolidando como valiosos insumos para a geração de eletricidade, impulsionando a matriz energética do Brasil com uma fonte renovável e sustentável. Essa atividade de cogeração de energia não apenas supre as necessidades operacionais das próprias usinas, mas também injeta um excedente significativo no Sistema Interligado Nacional (SIN), criando uma nova vertente de receita a partir do que antes era considerado resíduo.
A importância dessa contribuição é expressiva. Dados recentes indicam que a biomassa da cana-de-açúcar já responde por uma fatia considerável da demanda energética nacional. Este processo estratégico posiciona o setor sucroenergético como um agente crucial na transição do país para um futuro mais verde, garantindo segurança energética e sustentabilidade em larga escala.
Transformando Resíduos em Energia Limpa
O processo de cogeração de energia dentro das usinas é um exemplo de economia circular. Após a moagem da cana, o bagaço é combinado com a palha da colheita e utilizado como combustível em caldeiras. Este processo gera vapor de alta pressão, que aciona turbinas e, consequentemente, produz eletricidade. Uma parte dessa energia limpa e renovável é consumida internamente para o funcionamento das próprias instalações. No entanto, o potencial excede as necessidades, com aproximadamente 65% da eletricidade gerada sendo destinada à venda no mercado de energia, conforme estimativas da StoneX.
Pilar da Matriz Energética Sustentável
A contribuição da biomassa da cana para a Oferta Interna de Energia (OIE) do Brasil é notável. Em 2025, essa fonte renovável foi responsável por 15,8% do total, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). No mesmo ano, as fontes renováveis em geral alcançaram quase metade da oferta energética do país, com 49,5%. Dentro do segmento de energia de biomassa, o bagaço de cana detém uma liderança expressiva, respondendo por 73% da capacidade instalada de cogeração, conforme dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) de fevereiro de 2026.
Concentração Regional e Crescimento Estratégico
A produção de bioeletricidade a partir da cana está majoritariamente concentrada nas regiões onde o setor sucroenergético tem forte presença. O Sudeste e o Centro-Oeste do Brasil, de acordo com informações da StoneX, abrigam 81% da capacidade de geração a partir do bagaço. A analista Letícia Correia, da StoneX, ressalta que essa expansão acompanha o amadurecimento do setor, que passou a ver a geração elétrica não apenas como um meio de reduzir custos operacionais, mas como uma estratégica oportunidade para diversificar e aumentar as receitas das usinas sucroenergéticas.
Dinâmica do Mercado e Vantagem Sazonal
A rentabilidade da cogeração está intrinsecamente ligada às condições do mercado de eletricidade, com o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) sendo um indicador chave. Letícia Correia aponta que o PLD é influenciado, entre outros fatores, pelos níveis dos reservatórios hidrelétricos. Para as usinas de cana, essa dinâmica apresenta uma vantagem singular: o período de maior disponibilidade de biomassa (entre maio e outubro, safra no Centro-Sul) coincide com a época de estiagem, quando os níveis dos reservatórios baixam, o que tende a elevar o PLD. Dados da CCEE, Pecege e StoneX revelam que, nas últimas cinco safras, o preço médio da energia no período seco superou em 12,6% o registrado no período úmido.
Resíduos Valiosos Impulsionam o Futuro da Energia
A cogeração representa uma solução multifacetada para as usinas sucroenergéticas, unindo redução de custos, garantia de segurança energética e uma fonte consistente de receita adicional. Mais do que uma etapa industrial, a bioeletricidade da cana se tornou um pilar estratégico na gestão financeira e energética do setor. Para o Sistema Elétrico Brasileiro, a energia limpa proveniente da biomassa da cana é vital, pois adiciona uma fonte renovável robusta e confiável justamente no período em que a geração hidrelétrica enfrenta maiores desafios. Essa sinergia fortalece a matriz energética brasileira, garantindo maior resiliência e avançando na jornada da sustentabilidade. O papel da cana na oferta interna de energia do Brasil tende a crescer, consolidando sua posição como um dos motores da transição energética do país.
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