O Brasil pontuou 58,3 em avaliação global de inclusão energética, situando-se abaixo da média mundial de 62,8. O diagnóstico aponta que o país precisa integrar o planejamento socioeconômico desde o início dos projetos de transição.
O Brasil apresenta desafios críticos para elevar seus padrões de inclusão energética. Durante a ETRI 2026, realizada na USP, o pesquisador Cornelis Hulst apresentou um diagnóstico que coloca o país com 58,3 pontos, patamar inferior à média global de 62,8 e distante dos 73,9 pontos registrados pela União Europeia.
O resultado, obtido através do Levelized Energy Inclusion Model (LeiM), reflete a complexidade do setor no país. Embora o Brasil tenha um desempenho positivo em indicadores de democracia energética, a pontuação é puxada para baixo por deficiências acentuadas em pobreza energética e na relação entre custo de energia e renda familiar.
O conceito de inclusão na prática
Para Cornelis Hulst, a inclusão energética transcende a simples conexão à rede elétrica. O modelo apresentado engloba qualidade, acessibilidade financeira e o fomento a oportunidades locais para as populações impactadas por grandes empreendimentos de energia limpa.
O especialista afirmou:
“Se você quer inclusão energética, precisa planejá-la.”
O especialista argumenta que a eficácia da transição energética depende de uma mudança de paradigma: transformar as ações sociais — hoje muitas vezes periféricas — em pilares centrais de inovação dentro dos projetos. Isso envolve desde a capacitação profissional local até a criação de novos negócios nas regiões de instalação.
Desafios e disparidades no cenário brasileiro
A análise detalhada aponta que o Brasil mantém uma boa infraestrutura de suprimento, com 78,2 pontos em segurança física. No entanto, o hiato aumenta quando o foco muda para a justiça social. No indicador de pobreza energética, o país obteve 44,0 pontos, enquanto a média mundial chega a 62,5.
Já na dimensão de democracia energética, o Brasil surpreende positivamente, atingindo 72,2 pontos. Esse índice reflete a existência de mecanismos de participação e diálogo, ainda que o modelo de desenvolvimento sustentável precise evoluir para formas mais robustas, como a propriedade compartilhada de ativos energéticos por comunidades locais.
Oportunidade na transição de valor
Um ponto crucial levantado na ETRI 2026 é a exportação de energia versus a industrialização local. Cornelis Hulst questiona a lógica de apenas exportar recursos renováveis, defendendo que o país utilize seu potencial para viabilizar produtos de maior valor agregado, como o aço verde e combustíveis sustentáveis.
Ao reter a produção próxima às fontes de geração, o Brasil não apenas impulsiona a economia verde, mas também garante que os benefícios do investimento permaneçam no território. Integrar esses critérios ao planejamento estratégico é o caminho necessário para que a sustentabilidade não seja apenas um conceito técnico, mas uma ferramenta real de transformação socioeconômica, garantindo que o futuro energético seja, de fato, inclusivo.









