Cooperação nuclear Brasil-Rússia avança com foco em tecnologias de ponta e autonomia em radioisótopos.
O Brasil e a Rússia intensificaram sua colaboração em pesquisa nuclear avançada, com um foco particular no desenvolvimento e utilização do reator MBIR. Este encontro estratégico, que reuniu mais de 80 especialistas de 35 nações, incluindo uma delegação brasileira, visa impulsionar o avanço de tecnologias nucleares de nova geração, essenciais para a medicina e a geração de energia limpa.
A iniciativa alinha-se diretamente aos objetivos do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), um projeto crucial para a soberania nacional em radioisótopos. O RMB, sob a égide da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), é fundamental para a produção de insumos vitais para a medicina nuclear, como tratamentos oncológicos, e para a pesquisa em ciência de materiais. O cronograma prevê a conclusão das obras de infraestrutura do RMB no primeiro semestre de 2026, com a fase de construção civil estimada para 2030.
A cooperação com o reator MBIR, um complexo de pesquisa multipropósito de nêutrons rápidos com 150 MW de potência térmica, oferece ao Brasil a oportunidade de acelerar o desenvolvimento de materiais e combustíveis nucleares. A instalação russa é considerada um pilar para o avanço de pequenos reatores modulares (SMRs) e tecnologias de fusão controlada. Instituições de países como China e Vietnã já manifestaram interesse em utilizar o MBIR para experimentos complexos, aproveitando seus fluxos de nêutrons de alta densidade.
Stepan Kalmykov, presidente do Conselho Consultivo do IRC MBIR, ressalta a importância estratégica dessas instalações únicas para responder aos desafios energéticos futuros, destacando que poucos países possuem a capacidade de desenvolver e construir tais complexos. A colaboração internacional permite que o Brasil realize testes avançados, mesmo antes da plena operacionalização do RMB, fomentando a formação de especialistas e a troca de conhecimento.
Vladimir Novikov, diretor científico do Instituto Bochvar, complementa que o MBIR otimiza o ciclo de desenvolvimento de novos materiais, reduzindo o tempo e os recursos necessários para a pesquisa de componentes e materiais estruturais. Estes avanços têm aplicação em diversas tecnologias modernas, incluindo reatores de alta temperatura e soluções de fusão termonuclear.
A proposta de integrar as capacidades do MBIR com o reator PIK, de alto fluxo, em Gatchina, promete uma sinergia sem precedentes na solução de desafios científicos fundamentais e aplicados. Para o Brasil, essa participação em consórcios internacionais representa um “fast-track” para a maturidade tecnológica do RMB, fortalecendo as capacidades de teste e validação essenciais para a próxima década.






















