Primeiro dia da 3ª edição do Bioeconomy Amazon Summit, em Belém, destaca a relevância da bioeconomia e do território amazônico para o futuro do Brasil, reunindo empreendedores, investidores e autoridades.
Em um momento crucial para o debate sobre o futuro dos recursos naturais da Amazônia, a terceira edição do Bioeconomy Amazon Summit (BAS), realizada em Belém (PA), reafirmou a importância central da bioeconomia e do uso sustentável do território para o desenvolvimento do país. O evento, que começou nesta terça-feira, dia 12 de maio, em Belém, posicionou a floresta como pilar essencial para qualquer modelo de crescimento, alertando que a exploração de recursos sem preservação e o descaso com a escassez hídrica comprometem o progresso.
A abertura contou com a participação da secretária nacional de bioeconomia e apresentou uma série de painéis focados em temas como escalabilidade, financiamento, e a integração entre ciência e saberes ancestrais. O potencial econômico do bioma amazônico foi quantificado em aproximadamente US$ 140 bilhões até 2032, evidenciando a vasta oportunidade que a economia verde representa.
O objetivo do evento é facilitar o compartilhamento de soluções em bioeconomia geradas por empreendedores amazônidas, acelerar negócios e inspirar novas iniciativas baseadas na biodiversidade pan-amazônica. Crédito: Gil Silva/Kyvo
A Voz da Floresta no Desenvolvimento Nacional
Guilherme Manechini, CEO do evento, enfatizou em seu discurso de abertura que o verdadeiro desenvolvimento do Brasil só será alcançado se a floresta, o conhecimento que dela emana e os povos que a habitam forem incluídos na equação. Ele ressaltou que a ausência desses elementos inviabiliza qualquer perspectiva de avanço consistente para as próximas décadas.
“Os povos dos territórios da Amazônia têm demonstrado reiteradamente que se a floresta, o conhecimento sobre ela e que advém dela não entrar na conta do desenvolvimento do Brasil, não haverá desenvolvimento possível nos próximo anos, em nenhum lugar e para ninguém”, declarou Manechini.
Carina Pimenta, secretária nacional de bioeconomia, complementou a visão, destacando a importância de políticas públicas que considerem a realidade local. Segundo ela, a bioeconomia é um movimento em plena expansão na região, fruto de colaborações entre os setores público e privado, sociedade civil e empreendedores. O lançamento recente do Plano Nacional de Desenvolvimento da bioeconomia, construído com ampla participação social, reflete esse esforço.
“Quando a gente vai construir políticas públicas, se a gente não conhece essa realidade, trata de coisas muito genéricas e, muitas vezes, não entende porque algo não está dando certo. São experiências como a dos empreendedores e das comunidades que estão aqui presentes que ajudam a gente a fazer as coisas realmente”, afirmou Pimenta.
Avanços e Desafios para a Bioeconomia no Pará
O estado do Pará tem se destacado como um exemplo de investimento e fomento à bioeconomia. Camille Bemerguy, secretária adjunta de bioeconomia do estado, revelou que o governo local já destinou mais de R$ 1 bilhão para o setor, com foco na criação de políticas públicas, instrumentos financeiros, ambientes de inovação e articulações institucionais.
“O grande desafio não é mais provar que a bioeconomia importa. O desafio é de escala de financiamento, de infraestrutura, de inovação, de mercado e, sobretudo, de escala de inclusão. Precisamos garantir que os recursos financeiros cheguem aos territórios, que o capital dialogue com a realidade amazônica e os pequenos negócios possam crescer sem perder sua identidade territorial e socioambiental. E que a Floresta em pé, seja de fato, mais valiosa que qualquer alternativa predatória”, disse Bemerguy.
Rafael Kamke, diretor executivo de economia verde da Fundação Certi, reforçou a ideia de que o caminho está traçado e o foco agora deve ser na execução. Ele enfatizou a necessidade de um trabalho árduo para garantir que as atividades econômicas promovam a conservação e regeneração da floresta, incluindo de forma justa as comunidades locais nas oportunidades geradas.
Um Hub de Convergência para a Nova Economia
O Bioeconomy Amazon Summit, criado em 2023 pela KPTL e Kyvo, consolida-se como um importante ponto de encontro e articulação para o ecossistema da bioeconomia amazônica. Nas edições anteriores, o evento já projetou soluções de mais de 300 empreendedores para o mercado internacional. Nesta terceira edição, a expectativa é ainda maior, com a participação de mais de 130 startups, 60 instituições, 30 representantes de comunidades tradicionais e uma ampla gama de iniciativas voltadas para financiamento sustentável, inovação territorial, cadeias produtivas e reflorestamento.
A presença de representantes de importantes agentes de fomento da América Latina e de organizações financeiras multilaterais, como o Banco Mundial, o BID, a Agência Francesa de Desenvolvimento e o BNDES, reforça o alcance e a relevância do summit para o futuro da economia sustentável no Brasil e na região pan-amazônica.
Programação e Impacto
O Bioeconomy Amazon Summit 2026 oferece uma programação intensa e diversificada, com debates sobre política pública, financiamento, ciência, ancestralidade, logística e estratégias de distribuição de produtos da bioeconomia. O evento não apenas pauta discussões essenciais para a agenda climática, mas também atua como uma plataforma vital para impulsionar empreendedores e conectar o potencial da Amazônia com o mercado global.
A iniciativa visa consolidar o protagonismo brasileiro no cenário mundial de soluções sustentáveis, demonstrando que a floresta em pé representa um valor econômico e social inestimável para o futuro do país.






















