Bloomberg investe 285 milhões de dólares para fortalecer regulação de energias renováveis em emergentes

Bloomberg investe 285 milhões de dólares para fortalecer regulação de energias renováveis em emergentes
Bloomberg investe 285 milhões de dólares para fortalecer regulação de energias renováveis em emergentes - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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A Bloomberg Philanthropies anunciou um aporte de US$ 285 milhões para impulsionar a regulação de energias renováveis em países emergentes, visando superar barreiras institucionais e acelerar a descarbonização global.

A transição energética global alcançou um ponto de inflexão decisivo. Embora a viabilidade econômica da energia solar e eólica já seja uma realidade consolidada, a modernização das redes e a mudança nas estruturas de poder ainda enfrentam entraves burocráticos. Para mitigar esse cenário, o enviado especial da ONU para Ambição e Soluções Climáticas, Michael R. Bloomberg, destinou US$ 285 milhões para capacitar tecnicamente associações setoriais em nações em desenvolvimento.

O objetivo do programa é ambicioso: atuar diretamente nos mercados responsáveis por 70% das emissões do setor elétrico mundial. A meta é garantir que as fontes limpas representem mais de 50% da matriz energética nesses países até 2030, removendo os bloqueios sistêmicos que impedem o pleno aproveitamento da competitividade das novas tecnologias frente aos combustíveis fósseis.

O desafio da representatividade institucional

Apesar de as fontes renováveis terem superado o carvão na matriz global em 2025, o progresso físico é frequentemente contido por um desenho de mercado ultrapassado. Especialistas apontam que, sem dados robustos e uma governança alinhada à inovação, o potencial de investimento privado em infraestrutura de rede e armazenamento de energia (BESS) permanece subutilizado.

“A energia limpa é hoje mais barata do que os combustíveis fósseis em praticamente todo o mundo e, como resultado, sua participação na produção global de eletricidade está crescendo. No entanto, obstáculos superáveis ainda desaceleram essa transição e, com a demanda por energia aumentando a uma velocidade sem precedentes, não podemos permitir que essas barreiras continuem no caminho de custos de energia mais baixos para famílias e empresas. Este novo investimento ajudará a garantir que isso não aconteça”, afirmou Michael R. Bloomberg.

Governança como pilar da eletrificação

Para líderes globais, como a CEO do Global Solar Council (GSC), Sonia Dunlop, a tecnologia, por si só, é insuficiente para transformar o sistema energético. O entrave atual é a lacuna entre a capacidade instalada e a influência política necessária para moldar regulamentações modernas.

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“Mercado após mercado, vemos a mesma história: a viabilidade econômica existe, os projetos estão prontos, mas o que nos atrasa é a lacuna de representação institucional e política. Associações de energia renovável que conseguem participar de forma eficaz do planejamento da rede, do desenho de mercado e do financiamento não são uma preocupação secundária. Elas são o elemento que transforma o potencial de um país em eletricidade real na rede”, ressaltou Dunlop.

O Brasil, referência mundial na expansão de fontes fotovoltaicas e eólicas, também está no centro desta iniciativa. O país busca aprimorar o mercado de carbono, as regras para a geração distribuída e a viabilização técnica de leilões de reserva de capacidade.

Conforme pontuou o CEO da ABSOLAR e presidente do conselho do GSC, Dr. Rodrigo Sauaia: “Sustentar essa trajetória exige mais do que competitividade econômica: precisamos de associações fortes de energia solar e de armazenamento de energia, que tenham capacidade para dialogar com órgãos reguladores, aprimorar o desenho de mercado e garantir que as políticas públicas acompanhem o ritmo da expansão. Este investimento é crucial, pois aborda exatamente essas necessidades.”

Ao focar no capital intelectual e no suporte analítico para governos e agências reguladoras, a Bloomberg Philanthropies reafirma seu compromisso histórico com o clima. Este novo movimento não apenas almeja a descarbonização, mas busca assegurar que os países emergentes assumam a liderança da governança energética global, garantindo segurança, estabilidade e energia acessível para a próxima década.

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