A UHE Foz do Chapecó inicia a exportação de créditos de carbono, fortalecendo a presença do Brasil no mercado global de sustentabilidade com o apoio da AXIA Energia e da suíça Ameron Energies AG.
A Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, com capacidade instalada de 855 MW e situada na fronteira entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, acaba de alcançar um marco importante para o setor de energia limpa. Por meio de uma operação conduzida pela AXIA Energia em colaboração com a suíça Ameron Energies AG, o empreendimento começou a comercializar seus créditos de carbono internacionalmente. A iniciativa não apenas diversifica a receita do ativo, mas também impulsiona a valorização de atributos ambientais brasileiros em escala global.
A negociação inicial contempla 10 mil créditos, lastreados pelo Projeto 896 – Foz do Chapecó Project, devidamente certificado pelo padrão Verified Carbon Standard (VCS), da Verra. Esse volume equivale à quantidade de gases de efeito estufa que deixaram de ser lançados na atmosfera graças à operação da hidrelétrica, que injeta energia renovável no Sistema Interligado Nacional (SIN) suficiente para abastecer cerca de 5 milhões de residências.
Valorização de Atributos Ambientais na Transição Energética
O movimento reflete uma tendência consolidada entre geradores de energia renovável, que buscam explorar novas frentes de receita além da venda direta de eletricidade. Ao integrar o mercado voluntário de carbono, usinas como a Foz do Chapecó tornam-se peças-chave na estratégia de descarbonização corporativa de empresas ao redor do mundo.
Cecilia Essinger, gerente executiva de Estruturação de Produtos e Ativos Ambientais da AXIA Energia, ressalta a importância estratégica da operação:
“A abertura desse canal internacional de comercialização de créditos de carbono mostra como a AXIA Energia, uma empresa 100% renovável, pode gerar valor para clientes e parceiros ao combinar conhecimento do setor, relacionamento de mercado e visão de longo prazo. É uma iniciativa que conecta ativos renováveis brasileiros a novas oportunidades globais e reforça nosso compromisso com soluções que apoiam a transição energética.”
O Brasil como Hub Global de Carbono
A exportação desses ativos ganha força em um momento em que o Brasil se destaca pela sua matriz elétrica majoritariamente limpa, o que confere ao país um diferencial competitivo claro. A segurança jurídica trazida por marcos regulatórios recentes, como a Lei nº 15.042/2024, tende a acelerar a integração de projetos nacionais aos mercados de carbono voluntários e regulados.
Para o diretor da Ameron Energies, a parceria é fundamental para conectar o potencial renovável nacional a compradores que buscam metas rigorosas de sustentabilidade. Por sua vez, a gestão da Foz do Chapecó Energia vê na iniciativa um pilar central para o futuro do negócio. Otávio Rennó Grilo, diretor da companhia, afirmou:
“A abertura deste novo canal de comercialização reforça o compromisso da Foz do Chapecó Energia com a valorização de seus atributos ambientais e com a busca contínua por soluções que ampliem a sustentabilidade do negócio. Estamos empenhados em dedicar esforços necessários para consolidar essa iniciativa, fortalecendo nossa atuação no mercado de carbono.”
Com esse passo, o setor elétrico brasileiro reafirma seu papel na economia de baixo carbono, transformando a geração renovável em um pilar não apenas de segurança energética, mas também de desenvolvimento financeiro sustentável.























