O aumento da mistura de biodiesel no diesel convencional é vital para a autossuficiência energética do Brasil, afirma Carlos Eduardo Hammerschmidt, do Grupo Potencial, em um cenário de instabilidade global.
Em um panorama global marcado por tensões geopolíticas e flutuações no mercado de energia, o debate sobre a soberania energética do Brasil ganha destaque. A proposta de elevar o teor obrigatório de biodiesel na composição do diesel fóssil, passando do B15 para o B16, emerge como uma estratégia fundamental para fortalecer a posição do país e reduzir sua dependência de importações, alinhando-se aos princípios da energia limpa e sustentável.
Neste contexto, Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente Comercial, Relações Institucionais e Novos Investimentos do Grupo Potencial, ressalta a urgência da medida. Em entrevista ao Poder360, o executivo expressou preocupação com o cenário pós-conflitos no Oriente Médio, defendendo que o Brasil deve garantir seu abastecimento nacional sem ficar à mercê das volatilidades internacionais do petróleo. Tal postura reforça a visão de um futuro com uma matriz energética mais resiliente e autônoma.
Visão Estratégica em Meio à Crise Global
A preocupação com o cenário global pós-conflito é central na argumentação de Hammerschmidt. Ele projeta que a reconstrução de infraestruturas essenciais, como refinarias e portos destruídos, elevará o preço do barril do petróleo a patamares acima de US$ 100 por um ou dois anos. Esta instabilidade do mercado internacional sublinha a importância de estratégias que blindem a economia brasileira de choques externos.
“A gente está em guerra nesse momento, mas tem o pós-guerra. O pós-guerra é a reconstrução das refinarias, a reconstrução de pontos logísticos, de portos que foram destruídos. Isso vai elevar o preço do barril do petróleo acima de US$ 100 por 1 ano ou 2 anos. Não acredito que volte para os US$ 60 que estavam antes da guerra.”
A visão do executivo do Grupo Potencial enfatiza que o Brasil precisa assegurar a sua segurança energética, não apenas como uma questão econômica, mas como pilar da estabilidade social e da capacidade de desenvolvimento. A dependência externa de combustíveis fósseis torna um país vulnerável, e o aumento da mistura obrigatória de biocombustíveis é uma resposta estratégica a essa realidade.
Potencial do Setor de Biocombustíveis no Brasil
A indústria de biocombustíveis brasileira, reconhecida globalmente por sua maturidade e capacidade, está plenamente preparada para a demanda adicional que virá com o aumento da mistura. Hammerschmidt destaca que o país possui uma robusta rede de biorrefinarias, com cerca de 60 unidades espalhadas nacionalmente. Essa capilaridade proporciona uma logística eficiente e garante que o Brasil não enfrentará riscos de desabastecimento como outros países.
O Grupo Potencial é um exemplo dessa capacidade produtiva, operando um dos maiores complexos de biodiesel do país, com uma produção anual de 900 milhões de litros. A empresa anunciou investimentos significativos de R$ 6 bilhões até 2030, focando na expansão do esmagamento de soja e na produção de etanol de milho. Essa expansão visa fortalecer a cadeia produtiva, integrar ainda mais as operações e otimizar a oferta de matéria-prima para a fabricação de biocombustíveis, consolidando o compromisso com a transição energética.
Próximos Passos para o B16 e a Lei do Combustível do Futuro
A ampliação da mistura de biodiesel está amparada pela Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024. A legislação prevê um cronograma de aumento gradual, condicionado à viabilidade técnica do processo. Embora a elevação para B16 estivesse prevista para março, a etapa foi adiada para a realização de testes mais aprofundados.
Os ensaios técnicos, cruciais para comprovar a segurança e eficácia do B16, devem ter início em maio, com duração mínima de seis meses. A expectativa do governo é que, após a conclusão e avaliação desses testes, a alteração no percentual de biodiesel seja oficializada ainda no decorrer do ano. Este avanço representa um passo concreto na consolidação do Brasil como uma potência em fontes renováveis e na busca por uma maior autonomia energética.
A medida de aumentar a mistura de biodiesel no diesel é vista como um divisor de águas para a soberania energética brasileira. Ao investir nos biocombustíveis, o Brasil não apenas mitiga os impactos das oscilações do mercado internacional de petróleo, mas também fortalece sua economia interna, gera empregos e impulsiona a inovação tecnológica no setor energético. A transição energética, com foco em fontes renováveis, posiciona o país como um líder global em sustentabilidade e resiliência, garantindo um futuro mais seguro e ecologicamente consciente.






















