A manutenção dos parâmetros de risco no setor elétrico, defendida pelo MME, busca garantir a segurança do sistema diante de desafios climáticos e da necessidade de modernização tecnológica.
A recente deliberação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) de manter inalterados os critérios da Curva de Aversão ao Risco (CVaR) foi pauta central no Enase (Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico). Segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Gustavo Ataíde, o consenso entre os membros do colegiado reflete a cautela necessária diante das atuais condições de oferta de potência no país.
Para o governo, a medida está longe de ser um movimento de estagnação. Pelo contrário, trata-se de uma estratégia de proteção frente a incertezas hidrológicas, agravadas pela iminência do fenômeno El Niño. Embora o sistema tenha sido reforçado por contratações recentes, a avaliação técnica indica que a margem de segurança ainda exige atenção rigorosa para evitar falhas no suprimento.
Busca por eficiência nos modelos de operação
Durante o evento, Gustavo Ataíde reconheceu que a cadeia de modelos computacionais utilizada pelo setor atingiu o seu limite de eficácia. A dificuldade de representar a realidade operativa com precisão tem obrigado o regulador a depender de mecanismos auxiliares de proteção, como o próprio CVaR.
“Com uma melhor representação da realidade, vamos ficar menos dependentes de mecanismos auxiliares de aversão ao risco”, pontuou o secretário, ao defender uma revisão profunda nas ferramentas de modelagem.
Para mudar esse cenário, o MME já deu o primeiro passo: solicitou ao comitê técnico do CMO PLD um roteiro detalhado para a modernização das metodologias. A intenção é reduzir o uso de soluções paliativas e construir, a médio e longo prazo, um sistema mais robusto e transparente.
Integração institucional como prioridade
O plano de ação do ministério está dividido em duas frentes. Enquanto no curto prazo ocorrem ajustes pontuais na representação de usinas hidrelétricas e fontes renováveis, o foco estrutural reside na criação de uma nova base de modelos eletroenergéticos.
O objetivo é integrar órgãos como o ONS (Operador Nacional do Sistema), a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) em uma plataforma comum. Segundo o secretário, a fragmentação de ferramentas gera distorções e insegurança. Ao unificar os processos de planejamento da expansão, da operação e da formação de preços, o governo pretende conferir maior previsibilidade aos agentes e estabilidade a todo o mercado de energia.





















