Avanço na infraestrutura energética brasileira: Assis (SP) inaugura o primeiro cabo subterrâneo de 525 kV.
O cenário da transmissão de energia no Brasil acaba de ganhar um marco histórico com a inauguração, na subestação de Assis, localizada no interior de São Paulo, do primeiro cabo subterrâneo de 525 kV do país. Essa inovação tecnológica, implementada pela Taesa (Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A.), não apenas fortalece o sistema de energia limpa da região, mas também demonstra soluções pioneiras para os desafios de infraestrutura energética.
A adoção de cabos subterrâneos em detrimento das tradicionais linhas aéreas, geralmente suportadas por torres, surge como uma resposta estratégica à limitação de espaço físico na subestação de Assis. Essa iniciativa da Taesa não só otimiza a utilização do terreno, mas também abre portas para novas possibilidades técnicas em instalações críticas do Sistema Interligado Nacional (SIN), especialmente em locais com complexidade geográfica ou restrições de expansão.
Reforço Estratégico para o SIN
A instalação desses cabos de alta tensão é um componente chave do projeto Ananaí, concedido à Taesa pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O projeto, com previsão de operação até 2052, visa aprimorar a conexão entre o Paraná e São Paulo, com uma extensão total de aproximadamente 284 km.
É importante notar que a linha de transmissão em si não é inteiramente subterrânea; a solução inovadora com cabos enterrados concentra-se em trechos específicos dentro da subestação de Assis, conectando equipamentos cruciais.
Jell Lima de Andrade, em evento para a imprensa na subestação em 3 de setembro de 2026, ressaltou a importância estratégica de Assis. Ele destacou que a localidade se transformou em um ponto vital para o escoamento da energia gerada em regiões como o Norte e Nordeste do Brasil.
Ele afirmou:
O redirecionamento da energia visa centros de consumo em São Paulo e, subsequentemente, o Sul do país, chegando até a região metropolitana de Curitiba.
Ampliação do Intercâmbio Energético e Impacto no Consumo
A modernização da subestação de Assis, com a implementação do cabo subterrâneo de 525 kV, tem um impacto direto e significativo na capacidade de intercâmbio de energia entre os estados de São Paulo e Paraná. Estima-se que a nova infraestrutura tenha a capacidade de aumentar esse fluxo em impressionantes 2 GW (gigawatts).
Essa expansão significa uma maior flexibilidade para o sistema elétrico nacional, permitindo transferir volumes maiores de eletricidade entre as regiões, de acordo com as flutuações entre a geração e a demanda.
Para dimensionar a magnitude desse aumento, considera-se que, se a capacidade adicional fosse utilizada integralmente durante um mês, ela seria suficiente para suprir o consumo de aproximadamente 8,3 milhões de residências brasileiras. Este cálculo baseia-se no consumo médio mensal de energia de cerca de 174 kWh per capita, conforme dados consolidados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em julho de 2026.
Essa nova capacidade reforça a robustez e a interconexão do Sistema Interligado Nacional (SIN), permitindo um fluxo de energia mais dinâmico e adaptável às necessidades do país.
Tecnologia e Especificações dos Cabos Subterrâneos
A Taesa instalou um total de seis trechos de cabos subterrâneos para a nova configuração da subestação. Três deles possuem aproximadamente 590 metros cada e são responsáveis pela interligação do banco de autotransformadores ao setor de 525 kV. Os outros três trechos, com cerca de 200 metros cada, conectam a unidade reserva, que opera tanto em 525 kV quanto em 440 kV.
Ao todo, foram implantados cerca de 2,36 km de cabos, com cada metro pesando aproximadamente 41,1 kg. A instalação foi cuidadosamente planejada, com a parte inferior dos cabos posicionada a cerca de 1,1 metro da superfície da canaleta.
A unidade de medida ‘kV’, ou quilovolt, indica a tensão elétrica, fundamental para o transporte eficiente de grandes volumes de eletricidade por longas distâncias com perdas minimizadas. Os cabos em Assis, operando a 525 kV, conectam-se diretamente ao setor de alta tensão da subestação. Fabricados em cobre e isolados com XLPE (polietileno reticulado), os cabos possuem um diâmetro externo de 156,2 mm e foram projetados para suportar as exigentes condições operacionais do banco de autotransformadores.
Autotransformadores e Geração de Receita
Complementando a infraestrutura de cabos, o projeto em Assis também envolveu a instalação de um banco de autotransformadores de 1.500 MVA (megavolt-ampere). Esses equipamentos são essenciais para o ajuste dos níveis de tensão em diferentes fases do sistema de transmissão, operando em condições normais e de emergência com correntes de até 2.566 A em 525 kV.
A capacidade de transmissão em alta tensão é crucial para a eficiência energética em larga escala. Com a entrada em operação em 27 de julho de 2026, o projeto de Assis representa um acréscimo de aproximadamente R$ 173 milhões à Receita Anual Permitida (RAP) da Taesa.
A RAP é o modelo de remuneração para empresas de transmissão, baseado na disponibilidade da infraestrutura para o sistema elétrico, sendo paga pelos usuários da rede e refletida nas tarifas de energia. Este valor está vinculado à disponibilização da infraestrutura, independentemente do volume de energia efetivamente transportado.
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