ANP agora aceita I-REC para comprovar energia limpa no RenovaBio, ampliando opções para produtores de biocombustíveis.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deu um passo importante para flexibilizar a comprovação de energia renovável dentro do programa RenovaBio. A partir de agora, certificados como o I-REC (Certificados Internacionais de Energia Renovável) serão aceitos para atestar a origem limpa da eletricidade utilizada na eficiência energética dos produtores de biocombustíveis.
Essa mudança representa um ganho significativo para os agentes regulados, oferecendo mais alternativas para demonstrar o consumo de eletricidade de fontes limpas. Com isso, a expectativa é que produtores que emitem créditos de descarbonização, os CBIOs, possam melhorar suas notas de eficiência. Cada CBIO gerado contribui diretamente para a redução de uma tonelada de CO2 evitada no ciclo de vida de produtos como etanol, biodiesel e biometano.
Um Avanço para a Certificação de Biocombustíveis
A formalização desse novo entendimento pela ANP foi resultado de uma análise técnica aprofundada, desencadeada por uma consulta do Instituto Totum, empresa inspetora credenciada pela agência. O processo incluiu discussões técnicas e a apresentação de documentação detalhada sobre os critérios de emissão, rastreabilidade e o reconhecimento internacional desses certificados.
A ANP esclareceu que os certificados de atributos de energia renovável aceitos para a declaração na ferramenta RenovaCalc devem seguir os critérios do Programa Brasileiro GHG Protocol. A comprovação precisa ser rastreável, verificável e auditável, garantindo a procedência renovável da energia consumida.
Fernando Lopes, diretor-geral do Instituto Totum, destacou a importância da decisão. “A aceitação do I-REC pela ANP amplia as opções disponíveis para comprovação do consumo de energia renovável, sem abrir mão da segurança técnica e da rastreabilidade exigidas pelo RenovaBio“, afirmou.
Mercado de I-REC em Ascensão
A decisão da ANP ocorre em um momento de expressivo crescimento no mercado brasileiro de I-RECs. Dados recentes do Instituto Totum apontam que, apenas no primeiro semestre de 2026, mais de 65 milhões de certificados foram emitidos, superando o total de 64,7 milhões registrado em todo o ano de 2025.
Olhando para trás, o crescimento é ainda mais impressionante. Em apenas cinco anos, as emissões saltaram de aproximadamente 4 milhões de certificados em 2020 para mais de 65 milhões em 2026, um aumento superior a 1.500%. Essa expansão reflete o crescente interesse e a demanda por energia limpa no país, impulsionada por iniciativas como o RenovaBio.
Essa nova diretriz da ANP tende a impulsionar ainda mais o mercado de certificados de energia renovável, facilitando a transição energética e a descarbonização do setor de biocombustíveis no Brasil.






















