O setor de energia solar enfrenta um novo revés com a desistência de 806 MW em projetos na Bahia e Minas Gerais, evidenciando a crise de infraestrutura de transmissão no Brasil.
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) autorizou recentemente o cancelamento de outorgas para usinas fotovoltaicas que somam 806 MW de potência. A decisão atende a solicitações das empresas Álamo Energia Renovável e Edena Energia e Participações, que apontaram a impossibilidade de viabilizar os empreendimentos frente às condições atuais do mercado brasileiro.
O cenário de desistências não é isolado e reforça uma tendência preocupante para a transição energética nacional. Dados compilados pela MegaWhat mostram que, apenas ao longo de 2026, mais de 20 GW em projetos renováveis tiveram suas licenças revogadas, refletindo um gargalo estrutural persistente no sistema de transmissão.
Desafios logísticos e econômicos
A Edena Energia, responsável pela desistência de projetos na Bahia, como as usinas de Paratinga, afirmou em nota que a falta de capacidade de escoamento foi o fator determinante para o abandono dos planos. Segundo a companhia, estudos realizados não indicaram qualquer perspectiva de melhoria na conexão ao sistema interligado nos prazos exigidos pela regulação.
“Após reiteradas consultas e estudos junto aos agentes competentes, restou constatado que não há horizonte viável de resolução para o referido problema no curto ou médio prazo, o que inviabiliza a continuidade do projeto”, justificou a empresa em comunicado enviado à agência reguladora.
Por outro lado, a Álamo Energia destacou o impacto financeiro. Com 536 MW de projetos em Minas Gerais, a empresa explicou que a incerteza regulatória, somada à dificuldade de cumprir cronogramas para garantir descontos na Tust (Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão), tornou a operação insustentável.
O futuro dos investimentos em renováveis
A preocupação dos investidores não se restringe apenas à conexão física. A carta da Álamo Energia à Aneel traz um alerta sobre o risco de cortes compulsórios de energia, o que reduziria drasticamente a receita dos complexos e colocaria em risco a rentabilidade de longo prazo dos ativos.
A desistência em massa de projetos dessa magnitude aponta para a necessidade urgente de expansão da rede de transmissão para acomodar a crescente matriz renovável. Sem uma solução clara para o escoamento, o mercado teme que a insegurança jurídica e operacional continue freando o desenvolvimento de novos parques solares e eólicos pelo país.




















