A Aneel oficializou a revogação de cinco projetos de energia solar em Goiás e no Rio Grande do Norte, totalizando 178,6 MW de potência que não sairão do papel.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acatou, nesta sexta-feira, 9 de outubro, o pedido das companhias Spic e Quasar para o cancelamento de autorizações de empreendimentos fotovoltaicos. A decisão reflete um movimento de reajuste no portfólio dessas empresas em um cenário onde a viabilidade técnica e estratégica se tornou o principal filtro para novos investimentos em fontes renováveis.
Ao todo, a medida retira 178,6 MW de capacidade instalada que estava programada para entrar no Sistema Interligado Nacional (SIN). Enquanto uma das companhias optou por uma revisão estratégica interna, a outra esbarrou em limitações estruturais severas impostas pela infraestrutura de transmissão de energia no país.
Desistência estratégica em Goiás
No estado de Goiás, o projeto cancelado foi a usina fotovoltaica São Simão, que possuía 48 MW de potência outorgada. O empreendimento estava previsto para iniciar sua operação comercial em outubro de 2027.
Em sua argumentação junto ao órgão regulador, a Spic foi sucinta ao classificar o encerramento como uma desistência direta na implantação da planta. O projeto estava planejado para operar nas proximidades do reservatório da hidrelétrica de mesmo nome, um ativo estratégico de 1,7 GW operado pela empresa na divisa entre Minas Gerais e Goiás.
A decisão de não prosseguir com a usina marca um distanciamento do plano original da companhia, que buscava ampliar sua matriz solar na região, focando agora os esforços em outros investimentos, como a recente vitória em um Leilão de Reserva de Capacidade para uma nova unidade geradora de 310 MW.
Gargalos de transmissão no Rio Grande do Norte
Diferente do caso goiano, a interrupção das usinas Quasar I, II, III e IV, localizadas em Santana do Matos (RN), teve motivações técnicas ligadas ao escoamento da energia. As quatro unidades somavam 130,6 MW e tornaram-se inviáveis diante das restrições de conexão identificadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A empresa fundamentou seu pedido em estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que apontaram uma sobrecarga crítica na linha de transmissão de 230 kV Lagoa Nova II-Paraíso. O gargalo, previsto para persistir em cenários de contingência entre 2027 e 2038, impediria a operação segura e eficiente das usinas.
O impacto dessas revogações traz um alerta importante para o setor de energia limpa. Embora o Brasil possua um potencial solar vasto, a sincronia entre a geração renovável e a expansão das linhas de transmissão, como os projetos previstos no Bipolo Nordeste II, segue como o maior desafio para a consolidação de novos parques energéticos. A decisão da Aneel, portanto, evita que projetos sem garantia de escoamento ocupem espaço no cronograma de expansão energética do país.
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