A gigante tecnológica Amazon registrou um aumento expressivo em sua pegada de carbono, impulsionada pelo avanço da infraestrutura de IA e pelo crescimento das entregas logísticas no ano de 2025.
A busca pela liderança no mercado de inteligência artificial tem cobrado um preço ambiental elevado para a Amazon. De acordo com o mais recente relatório de sustentabilidade da companhia, o volume de emissões de gases poluentes cresceu 16% em relação ao ano anterior, totalizando 81 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono. Este cenário marca o segundo ano consecutivo de alta, colocando sob escrutínio as ambiciosas metas ambientais da empresa, que prometeu atingir a neutralidade de carbono até 2040.
O desafio da companhia é complexo, uma vez que as emissões atuais superam em 58% os níveis registrados em 2019, ano base para o compromisso climático. O maior obstáculo para a descarbonização tem sido a rápida expansão de data centers. A construção dessas estruturas demanda o uso intensivo de insumos como aço e concreto — responsáveis por uma carga alta de emissões — além da enorme necessidade de energia elétrica para manter a operação constante dos servidores. Esse aumento na demanda energética tem estimulado novos investimentos em usinas termelétricas a gás natural nos Estados Unidos, na contramão das expectativas globais por fontes de energia renovável.
Além do setor de tecnologia, a malha logística da Amazon também contribuiu para o cenário negativo. Com um volume de entregas cada vez maior, o consumo de combustíveis fósseis pela frota de transporte segue em trajetória de alta. A diretora de Sustentabilidade da empresa, Kara Hurst, reconheceu os desafios impostos por esse crescimento acelerado.
“Embora a velocidade e a escala da adoção da IA sejam únicas — e a mudança esteja acontecendo mais rápido e de forma mais ampla do que qualquer outra coisa que já vivenciamos — a necessidade de manter firmeza em nossa visão e flexibilidade nos detalhes é um território conhecido”, pontuou Hurst em declaração oficial.
O impacto da expansão tecnológica reforça a urgência para que as chamadas Big Techs revisem suas estratégias de infraestrutura. O setor agora enfrenta a pressão de investidores e órgãos reguladores para conciliar a inovação necessária para a era da IA com práticas de sustentabilidade mais rigorosas e eficazes, sob o risco de distanciar o setor de suas promessas de impacto ambiental positivo.























