A Alupar mantém seu olhar voltado para novos projetos de transmissão em expansão, mas enfrenta desafios significativos no setor de geração de energia.
A Alupar demonstra um apetite contínuo por oportunidades no setor de transmissão de energia, tanto no mercado brasileiro quanto na América Latina. Apesar de um cenário de crédito mais desafiador e da possibilidade de um aumento temporário em seu endividamento, a empresa busca ativamente por novos leilões e projetos greenfield. A condição principal, segundo Luiz Coimbra, diretor de Relações com Investidores, é garantir que os retornos sejam alinhados à sua estratégia corporativa.
Em contrapartida, o segmento de geração de energia apresenta um panorama mais complexo para a companhia. Fatores como curtailment (redução da geração), modulação de energia, riscos associados a submercados e incertezas quanto à remuneração de geradores renováveis por interrupções impostas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) criam um ambiente menos favorável para novos investimentos.
Expansão e Financiamento
A Alupar projeta um expressivo ciclo de investimentos, totalizando R$ 9 bilhões até 2029, o maior em sua história. Este plano abrange 11 novos empreendimentos, com uma Receita Anual Permitida (RAP) estimada em R$ 1,2 bilhão.
No primeiro trimestre, a empresa obteve sucesso em uma captação de R$ 2,45 bilhões, destinada ao financiamento dos projetos TECP e TAP. Essa operação representou a maior captação já realizada pela companhia. Para concretizar seu plano de crescimento, a Alupar ainda necessita arrecadar aproximadamente R$ 1,3 bilhão no mercado doméstico e entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões no exterior.
Endividamento e Custo de Capital
O índice de alavancagem regulatória da empresa encontra-se em torno de 3,2 vezes o Ebitda, podendo atingir quatro vezes em seu pico de execução de projetos. Contudo, a expectativa é de que retorne para abaixo de 3,5 vezes até 2030, caso novos projetos não sejam incorporados.
Luiz Coimbra ressaltou que o mercado de crédito no Brasil se tornou mais intrincado desde o final do ano passado, afetando tanto debêntures incentivadas quanto o mercado institucional. Apesar disso, a Alupar identifica boas condições para captação no exterior, especialmente para projetos em moeda estrangeira na América Latina. A empresa também tem enfrentado pressão de custos em equipamentos, fretes e mão de obra, exigindo maior antecipação em contratações para mitigar atrasos.
Embora a Alupar tenha participado de recentes leilões de transmissão, perdeu alguns lotes para ofertas mais competitivas. A companhia também monitora oportunidades no Chile, Peru e Colômbia, priorizando o desenvolvimento de projetos greenfield em detrimento de aquisições, devido à dificuldade em encontrar retornos atrativos em ativos já existentes.
Resultados Financeiros
No primeiro trimestre, o lucro líquido regulatório da Alupar alcançou R$ 148,9 milhões, um aumento de 6,3% em relação ao ano anterior. O Ebitda regulatório consolidado registrou R$ 794,7 milhões, um crescimento de 15,9%, impulsionado principalmente pela expansão da receita em transmissão com a entrada em operação de novos empreendimentos e consolidação de ativos adquiridos.
A divergência entre o crescimento do lucro e do Ebitda deve-se a efeitos cambiais em projetos internacionais. A desvalorização de moedas estrangeiras em relação ao real impactou o lucro em cerca de R$ 30 milhões no período, sem afetar o caixa. A receita líquida regulatória cresceu 16,3%, atingindo R$ 996,8 milhões, enquanto a dívida líquida totalizou R$ 9,3 bilhões.
Sob a ótica do IFRS (normas contábeis internacionais), o lucro da Alupar foi de R$ 198,1 milhões, uma redução de 33,7%. O Ebitda societário recuou 12,9%, a R$ 812,1 milhões, impactado pela diminuição de índices de inflação utilizados na atualização de ativos de concessão, também sem reflexo em caixa.





















