A Alunorte obteve sinal verde para importar GNL diretamente, contornando a crise de abastecimento que paralisou metade de suas operações industriais na última semana.
A gigante da alumina, subsidiária da Norsk Hydro, está em processo de normalização de suas atividades fabris após enfrentar uma interrupção crítica no fornecimento de gás natural. A escassez, provocada por falhas na entrega da Celba, unidade da New Fortress Energy (NFE), forçou a companhia a reduzir sua produtividade pela metade, gerando um prejuízo financeiro que pode alcançar a marca de US$ 100 milhões apenas no terceiro trimestre.
Para reverter o cenário, a Alunorte buscou uma alternativa emergencial junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A autorização, oficializada no início de agosto, permitiu à refinaria atuar como autoimportadora de GNL, garantindo o insumo necessário para manter suas caldeiras e processos em pleno funcionamento após um entendimento pontual para utilizar o terminal de Barcarena.
Impacto financeiro e histórico de tensões
O impacto operacional da falha no suprimento é expressivo. Estima-se que a empresa tenha deixado de produzir entre 100 mil e 120 mil toneladas de alumina. Além das perdas diretas na fabricação, o custo adicional de buscar o insumo no mercado spot, em condições financeiras menos vantajosas que o contrato original, pesa severamente no balanço trimestral da companhia.
A relação entre as empresas é alvo de um litígio complexo. Desde o primeiro trimestre de 2025, a Alunorte move uma arbitragem internacional junto à Câmara de Comércio Internacional (ICC) contra a Celba, pleiteando uma indenização superior a R$ 375 milhões. O processo aponta falhas recorrentes no cumprimento do contrato de longo prazo, assinado originalmente em 2021.
“A empresa [NFE] acredita que as alegações da Alunorte não têm mérito e não encontram respaldo no contrato entre as partes, e por isso a empresa planeja se defender vigorosamente neste processo”
Contexto do setor e o futuro do fornecimento
Enquanto a disputa jurídica segue nos tribunais internacionais, a New Fortress Energy tem buscado reestruturar sua operação no Brasil. Recentemente, a companhia anunciou a cisão de seus negócios locais para uma nova plataforma independente, em um movimento estratégico para mitigar o endividamento e ajustar sua base de ativos.
Para a Alunorte, a nova prerrogativa de autoimportação representa uma mudança crucial na gestão de riscos. A empresa, que antes dependia exclusivamente do contrato de 15 anos com a Celba, agora ganha autonomia para diversificar suas fontes de energia e garantir a continuidade da produção, essencial para o mercado global de alumínio. O setor aguarda agora os desdobramentos sobre a estabilidade do fornecimento em Barcarena e as próximas decisões arbitrais que definirão os danos financeiros decorrentes desse impasse energético.
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