A Eneva antecipa preparativos para assumir projetos no Leilão de Reserva de Capacidade, enquanto busca maior flexibilidade operacional para suas termelétricas diante da demanda do SIN.
A Eneva iniciou um plano de mobilização estratégica para garantir o cumprimento de novos projetos no setor elétrico. A empresa se prepara para uma eventual convocação no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), caso se confirme a inabilitação de concorrentes que venceram o certame de 2026. A companhia aguarda o parecer final da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas reforça que a natureza do cronograma não permite esperar por definições formais para iniciar as movimentações técnicas.
A possibilidade de ascensão da Eneva na fila de selecionados envolve dois ativos de peso: os projetos Porto Norte Fluminense I A e GDE Pará III. Juntos, eles somam 791 MW de disponibilidade energética para início de suprimento entre 2028 e 2029. A citação desses ativos na nota técnica da agência reguladora coloca a empresa em posição de prontidão para expandir sua capacidade instalada no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Preparação antecipada e rigor técnico
Durante a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre, o diretor de Finanças e Relações com Investidores da Eneva, Marcelo Habibe, esclareceu a postura da companhia. O executivo destacou que, diante da complexidade da implantação desses empreendimentos, a inércia não é uma opção viável.
“Se for um chamado para a gente implantar, a gente não pode começar a tomar as providências a partir de agora. Então, a gente já começou a fazer todas as ações necessárias”, afirmou o executivo.
A eventual convocação da Eneva está atrelada à manutenção da decisão contra os consórcios ION, que tiveram seus recursos recomendados para rejeição pela Comissão Permanente de Leilões (CPL) da Aneel. A situação ainda depende de um desfecho final pela diretoria da agência, que também analisa o status da UTE Garuva em um processo separado.
Ajustes operacionais e mercado de GNL
Além da expansão, a companhia negocia a redução voluntária da inflexibilidade das usinas Azulão II, Parnaíba II e Parnaíba VI. O objetivo é adaptar o despacho à realidade do SIN, que demanda menos geração de base em horários de alta oferta solar. Esta discussão ocorre no âmbito de uma solução consensual junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).
No segmento de GNL (Gás Natural Liquefeito), a saída da Vale do contrato de fornecimento forçou a Eneva a redirecionar seu foco comercial. A estratégia agora privilegia o setor industrial e o uso do combustível para o transporte rodoviário. Segundo Marcelo Lopes, diretor da companhia, essa reorganização deve postergar o investimento no quarto trem de liquefação, mantendo o foco na viabilização da infraestrutura de abastecimento terrestre até 2027.
O cenário para o segundo semestre de 2026, contudo, exige cautela. A Eneva aponta que as incertezas climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño podem elevar os preços de energia e gás, pressionando a margem de comercializadoras independentes que não possuem hedges operacionais eficientes. Apesar da queda de 91,4% no lucro líquido trimestral, impactada por efeitos contábeis, a empresa mantém uma agenda agressiva de investimentos voltada para o crescimento sustentável e a otimização de seu parque térmico.






















