A Agência Internacional de Energia projeta um avanço no consumo global de petróleo para o segundo semestre de 2026, sob a condição fundamental de estabilidade política no Oriente Médio.
A AIE (Agência Internacional de Energia) sinalizou uma virada no cenário do mercado de energia. Em relatório divulgado nesta sexta-feira (10.jul.2026), o órgão aponta que o consumo mundial de petróleo iniciou um movimento de retomada. Este aquecimento ocorre após o setor enfrentar uma queda acentuada em maio, quando a demanda atingiu 97,9 milhões de barris diários, pressionada pelo agravamento das tensões militares entre os Estados Unidos e o Irã, que afetaram diretamente o fluxo de embarcações no estratégico Estreito de Ormuz.
A projeção da AIE indica um salto expressivo na procura, que deve crescer mais de 8 milhões de barris por dia até outubro, superando os patamares observados ao longo de 2025.
Estabilidade geopolítica como fator decisivo
Embora o otimismo prevaleça nas estimativas, a agência é categórica ao condicionar essa recuperação ao desfecho do conflito regional. A normalização das rotas marítimas em Ormuz e a consolidação de um cessar-fogo entre as potências envolvidas são requisitos indispensáveis para que refinarias e campos de extração voltem a operar em sua capacidade máxima.
“Uma recuperação da demanda mundial por petróleo está em curso”, destacou a AIE em seu boletim oficial.
O cenário atual é de grande instabilidade. Após a ruptura do acordo de paz em 8 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou ataques a instalações militares iranianas como resposta a investidas contra navios comerciais. O Irã retaliou atingindo bases norte-americanas em países vizinhos, como Kuwait, Catar e Bahrein. Apesar da escalada, Trump sinalizou que canais diplomáticos estariam abertos para uma nova tentativa de negociação.
Impactos no mercado e preços
O volume de oferta global registrou uma leve alta em junho, alcançando 98,8 milhões de barris por dia com a reabertura parcial de corredores logísticos. Contudo, o setor ainda opera cerca de 9,4 milhões de barris abaixo da média pré-guerra. A disparidade entre a oferta de óleo cru — que recuperou 75% de seu fluxo habitual — e a de derivados, como combustíveis e GLP, ilustra a dificuldade do mercado em se reequilibrar totalmente.
No que diz respeito aos preços, a volatilidade tem sido a marca registrada. O indicador *North Sea Dated* oscilou significativamente, atingindo a mínima de US$ 68 no início do mês, mas retornou ao patamar de US$ 77 após o reinício das hostilidades.
A longo prazo, a AIE projeta um 2026 de retração média, com crescimento mais consistente sendo esperado apenas a partir de 2027. Mesmo com a expansão prevista, o ritmo global de consumo deve permanecer contido, abaixo das médias históricas de crescimento do setor.























