A retomada do crescimento industrial brasileiro depende diretamente da realização de um leilão transparente e competitivo para o gás da União, aponta a Abrace.
Há 14 anos sem avançar, o consumo industrial de gás natural no Brasil pode ganhar um novo fôlego com a futura oferta de gás da União. A avaliação é de Paulo Pedrosa, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace), que vê no leilão de curto prazo uma ferramenta essencial para revitalizar o setor produtivo e combater a ociosidade, especialmente em indústrias como a química, que opera com quase 40% de sua capacidade subutilizada.
Em declarações durante o evento Sergipe Oil & Gas (SOG) 2026, Pedrosa enfatizou que o mercado de gás nacional clama por um ambiente mais competitivo. A proposta da Abrace é que a Pré-Sal Petróleo (PPSA) atue como formadora de mercado através de leilões diários, oferecendo volumes tanto para contratos de curto quanto de longo prazo. Essa modalidade, segundo ele, garantiria a segurança necessária para que as indústrias realizem investimentos estratégicos.
“Ninguém pode interferir no preço. O preço tem que ser o resultado de mercado”, defende Pedrosa, reforçando a necessidade de uma formação de preço transparente e livre de intervenções.
A perspectiva ganha força com a recente aprovação, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), da realização do primeiro leilão do gás da União, previsto para novembro. Este novo modelo permitirá à PPSA comercializar o insumo diretamente com os consumidores finais, diversificando a cadeia de suprimento e evitando a concentração de vendas, como ocorria anteriormente com a Petrobras.
Estruturação e o debate sobre o gas release
O leilão marca um passo importante na industrialização do país, abrindo caminho para futuras disputas de volumes maiores voltados para setores estratégicos como fertilizantes, química e siderurgia. Pedrosa também abordou o tema do gas release, vendo a discussão como um sinal de maturidade do mercado. Ele rechaçou a ideia de modelos impostos, mas reiterou a defesa por um leilão aberto e justo para a venda desse gás.
Crítico a manobras regulatórias que buscam beneficiar o gás artificialmente no setor elétrico – as chamadas “jabutis zumbis” –, o presidente da Abrace insiste que o caminho natural para a expansão do uso do gás é através de preços competitivos. Com um gás mais acessível, a infraestrutura se expandiria e o consumo seguiria em uma trajetória de crescimento orgânico e sustentável.























