A Abeeólica cobra urgência na regulamentação das eólicas offshore e soluções técnicas definitivas para conter os cortes de geração renovável no sistema elétrico nacional.
Durante a abertura da 17ª edição do Brazil Windpower, a Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias) reforçou a necessidade de avançar com a regulamentação do setor elétrico para garantir segurança jurídica aos investidores.
A entidade destacou que o crescimento sustentável das fontes limpas no Brasil depende da superação de gargalos operacionais e do fortalecimento da governança setorial no país.
Entre as prioridades urgentes apresentadas pela liderança da associação estão o combate efetivo ao curtailment e o avanço no arcabouço regulatório da fonte eólica offshore.
Enfrentamento do curtailment exige saída técnica
Os cortes sistemáticos na geração eólica e solar, conhecidos como curtailment, deixaram de ser apenas um prejuízo financeiro para os empreendedores e viraram um desafio complexo para o SIN (Sistema Interligado Nacional).
Atualmente, os acordos vigentes cobrem apenas ressarcimentos decorrentes de indisponibilidade externa ou confiabilidade, deixando de fora as perdas geradas pelo excesso de oferta de energia na rede elétrica.
A presidente-executiva da entidade, Elbia Gannoum, ressaltou que acordos comerciais não resolvem a causa raiz dos desligamentos operacionais ocorridos na rede.
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Não basta ter a lei, ter a regulamentação e o termo de compromisso que a gente tem feito. O curtailment tem uma questão técnica relevante a ser resolvida, independentemente de quem está falando.
A Abeeólica também defende a aprovação de regras para o rateio dos custos de sistemas de armazenamento em baterias, elemento considerado fundamental para equilibrar a oferta e demanda no sistema elétrico.
Regulamentação e alto potencial no mar
A aceleração dos projetos de geração offshore no litoral brasileiro depende diretamente da consolidação do decreto que regulamentará a Lei nº 15.097/2025.
O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) prorrogou o prazo do grupo de trabalho encarregado de estruturar as diretrizes de cessão de áreas e os critérios técnicos e financeiros para os leilões.
A expectativa é que a proposta final seja concluída para permitir os primeiros certames e licitações no mar até o início de 2026.
Mapeamentos do MME (Ministério de Minas e Energia) indicam que o Brasil possui um potencial eólico offshore superior a 1,2 Terawatt, sendo cerca de 697 Gigawatts aproveitáveis em águas rasas.
Infraestrutura de transmissão e atração de data centers
Além da geração, a expansão da rede de transmissão é vista como decisiva para acompanhar as novas demandas da economia global, incluindo grandes consumidores intensivos em energia.
A chegada de grandes estruturas, como data centers, representa uma oportunidade estratégica para impulsionar novos investimentos em usinas eólicas e solares no território nacional.
A estratégia defendida passa pela aceleração da transição energética, incentivando a substituição gradual de combustíveis fósseis por energia limpa nos setores industrial e de transportes.
Próximos passos para a expansão renovável
A consolidação do Brasil como liderança global em energia limpa dependerá da capacidade de transformar seu potencial natural em projetos viáveis e atrativos ao capital privado.
Com os ajustes regulatórios em andamento no MME e na Aneel, o mercado aguarda definições claras para destravar novos ciclos de investimentos sustentáveis nos próximos anos.













