A Caixa Cultural Brasília apresenta mostra inédita sobre o legado de Frans Krajcberg, reunindo obras feitas com resíduos de queimadas e propondo profunda reflexão sobre preservação ambiental.
A capital federal recebe um importante marco cultural voltado à reflexão climática e artística. A Caixa Cultural Brasília abre espaço para a exposição intitulada “Frans Krajcberg – Uma Semântica da Devastação”, dedicada à memória e ao engajamento de um dos maiores nomes do ativismo ecológico nas artes.
O evento de abertura conta com presença da curadora Alejandra Muñoz em uma visita guiada especial. Com entrada franca e recursos amplos de acessibilidade, como braile e audiodescrição, a mostra segue em cartaz até 10 de janeiro de 2027.
A iniciativa é resultado de uma parceria institucional firmada com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), órgão vinculado à SecultBA, trazendo um acervo de alto valor histórico.
A poética do fogo e o ativismo ambiental
A seleção apresenta ao público um conjunto expressivo composto por 56 esculturas e 111 registros fotográficos. O acervo percorre momentos cruciais da trajetória de Frans Krajcberg, evidenciando seu olhar crítico sobre a destruição da natureza.
As peças foram elaboradas a partir de elementos recolhidos em áreas degradadas por queimadas e desmatamento. Troncos retorcidos, raízes expostas e pedaços de madeira carbonizada transformam-se em denúncias visuais marcantes contra a ação predatória.
A produção artística de Krajcberg transforma os vestígios da destruição florestal em um grito urgente pela preservação da vida e do planeta.
História de vida e engajamento histórico
Sobrevivente do Holocausto, o artista polonês naturalizado brasileiro desembarcou no país em 1948. Desde então, encontrou nas matas brasileiras a matéria-prima e a causa central de sua jornada existencial e estética.
Ele integrou o grupo responsável pela redação do histórico Manifesto do Rio Negro, formulado em 1978. O documento tornou-se referência ao aliar produção cultural e defesa socioambiental consciente.
Para garantir amplo acesso ao debate, a programação prevê novas visitas mediadas educativas. As atividades agendadas ocorrem logo após a inauguração, oferecendo horários nos períodos da manhã e da tarde.
A realização da exposição reforça o papel das artes visuais como vetor de conscientização e transformação social. O projeto busca provocar inquietações essenciais em um momento crítico para a agenda sustentável global.
Ao resgatar a intensidade criativa do mestre, o público do Distrito Federal ganha uma oportunidade de conectar beleza, protesto e sensibilidade ecológica nos próximos anos.









