O Governo Federal projetou que o Brasil continuará dependente da compra externa de diesel na próxima década, mesmo com a expansão na extração de óleo bruto.
O Plano Decenal de Expansão de Energia, divulgado pelo Ministério de Minas e Energia e pela Empresa de Pesquisa Energética, desenha um cenário em que a nação precisará suprir a escassez interna com combustível estrangeiro até 2036. Enquanto a extração de óleo cru avança rumo a patamares recordes, a infraestrutura nacional de processamento segue limitada para acompanhar o ritmo do consumo.
Apesar da alta na extração de óleo cru, o parque industrial brasileiro não consegue transformar todo o volume bruto em derivados essenciais. Enquanto a demanda interna pelo óleo automotivo avança em ritmo acelerado, a oferta das refinarias nacionais cresce de forma desproporcional, consolidando a necessidade de suprimento externo para abastecer o mercado logístico e de transportes.
O Descompasso entre Extração e Refino
O planejamento estratégico aponta que o consumo do óleo automotivo deve saltar nos próximos dez anos, impulsionado pela atividade econômica e pelo setor de transportes. Em contrapartida, a produção interna de derivados nas refinarias terá um incremento tímido. Como consequência direta dessa diferença, os volumes comprados de outros países deverão saltar de maneira expressiva até o final do período analisado.
O documento governamental detalha que o país extrairá volumes massivos de óleo cru, mas grande parte dessa matéria-prima continuará sendo enviada ao exterior na forma bruta.
Com isso, o país continuará dependente de importações para complementar a oferta nacional
Essa dinâmica evidencia o gargalo histórico do parque fabril nacional, que não recebeu investimentos suficientes para acompanhar a expansão da camada pré-salt nas últimas décadas.
Cenário Diferente para Gasolina e QAV
Enquanto o óleo rodoviário exigirá compras contínuas do exterior, outros derivados seguem uma trajetória oposta no planejamento oficial. A gasolina tende a alcançar o equilíbrio autossuficiente devido à estagnação do consumo interno. Esse comportamento é reflexo direto da maior inserção de biocombustíveis na matriz nacional e da transição gradual para frotas eletrificadas nas grandes cidades.
No setor aeronáutico, o panorama é ainda mais favorável. O querosene de aviação caminha para eliminar totalmente a dependência externa antes do término da década, impulsionado por novas diretrizes de combustíveis renováveis e por ajustes operacionais nas unidades de processamento. A oferta de gás de cozinha também registrará alívio expressivo, beneficiada pelo aproveitamento comercial do gás natural oriundo de novas plantas de processamento.
Os próximos anos exigirão atenção redobrada da política energética nacional para mitigar os riscos de vulnerabilidade no abastecimento logístico. A dependência prolongada do óleo automotivo estrangeiro deixa a economia vulnerável a oscilações cambiais e crises geopolíticas internacionais, tornando urgente a modernização e a ampliação do parque fabril brasileiro para garantir maior segurança de suprimento a médio e longo prazo.











